Nem iogurte, nem leite comum: o alimento milenar que pode ajudar a restaurar a flora intestinal, segundo especialistas

Conhecido como “ouro branco”, o fermentado reúne bactérias e leveduras que despertam o interesse de pesquisadores e nutricionistas

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
kéfir
(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

Nem iogurte, nem leite comum. O alimento que ganhou espaço entre quem busca cuidar da saúde intestinal é o kéfir. A bebida fermentada tem origem nas montanhas do Cáucaso e reúne uma comunidade de bactérias e leveduras.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal argentino La Nación, diferentes culturas de kéfir podem apresentar entre 30 e 60 cepas de microrganismos. Pesquisas recentes investigam a relação do alimento com a microbiota, a digestão e outros processos do organismo.

O que é o kéfir?

O kéfir nasce a partir de pequenos grãos brancos e gelatinosos. Eles concentram uma comunidade de bactérias e leveduras que trabalham juntas durante a fermentação.

Existem duas versões principais: kéfir de leite e kéfir de água. O primeiro apresenta sabor ácido e textura semelhante à de algumas bebidas fermentadas. Já o segundo utiliza água, açúcar, frutas e culturas específicas.

Durante a fermentação, os microrganismos transformam os açúcares e produzem ácido láctico, dióxido de carbono, etanol e outros compostos.

No caso do kéfir de leite, o processo também reduz parte da lactose. Por isso, algumas pessoas podem apresentar maior tolerância ao alimento em comparação com o leite comum.

Como ele pode ajudar a microbiota?

A microbiota intestinal reúne trilhões de microrganismos que vivem no sistema digestivo. O equilíbrio entre essas comunidades influencia diferentes funções do organismo.

O kéfir fornece microrganismos vivos que podem interagir com esse ambiente. Pesquisas preliminares associam seu consumo a mudanças na composição da microbiota e a uma possível redução da disbiose, situação em que ocorre um desequilíbrio entre os microrganismos intestinais.

Além disso, algumas bactérias presentes no fermentado produzem ácidos orgânicos e outras substâncias durante a fermentação. Esses compostos podem modificar o ambiente intestinal e dificultar o crescimento de determinados microrganismos.

No entanto, os especialistas fazem uma ressalva importante: os estudos em seres humanos ainda são limitados e apresentam resultados variados. Portanto, o kéfir pode contribuir para uma alimentação voltada à saúde intestinal, mas não substitui tratamento médico.

Outros possíveis benefícios

Além da microbiota, pesquisas relacionam o kéfir a possíveis efeitos sobre a digestão e o sistema imunológico.

O processo de fermentação produz compostos bioativos que podem influenciar diferentes funções do organismo. Alguns estudos também investigam possíveis efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e metabólicos.

Ainda assim, boa parte das evidências vem de estudos feitos em laboratório ou em animais. Por isso, os resultados não permitem afirmar que o consumo do alimento previne ou trata doenças.

Como consumir o alimento?

Quem deseja incluir o kéfir na alimentação pode encontrar versões prontas ou preparar a bebida em casa com os grãos de fermentação.

No preparo caseiro, a higiene merece atenção. O processo envolve microrganismos vivos, portanto utensílios e recipientes limpos ajudam a evitar contaminações.

A reportagem de La Nación cita uma orientação de consumo de aproximadamente 100 a 200 ml por dia, mas a quantidade ideal depende da alimentação e das condições individuais.

Por isso, pessoas com doenças, restrições alimentares ou dúvidas sobre o consumo devem conversar com um profissional de saúde antes de fazer mudanças significativas na dieta.

No fim, o kéfir não é uma solução milagrosa. Porém, como alimento fermentado, ele oferece uma combinação diversificada de microrganismos e pode fazer parte de uma alimentação equilibrada voltada à saúde intestinal.

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