Tragédia que vitimou mais de 50 romeiros de Anápolis completa 28 anos em meio à memória e ao luto; relembre
Caso que continua na memória de muitos moradores será lembrado durante a Santa Missa dos Romeiros nesta terça-feira (08)
Há 26 anos, quem passa pela antiga Praça Gonçalves da Cruz, entre o Jardim Alexandrina e o Maracanã, se depara com um monumento em memória. Renomeada Praça dos Romeiros em 2000, o local mantém de pé a lembrança de um trágico acidente, ocorrido dois anos antes.
Era madrugada de 08 de setembro de 1998 quando dois ônibus cheios de romeiros voltavam a Anápolis por meio da Rodovia Anhanguera. Eles vinham de uma excursão no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.
Os coletivos já estavam na cidade de Araras, a cerca de 170 km de onde tinham saído, quando se depararam com um acidente na estrada.
Um caminhão carregado com 32 mil litros de combustível tinha tombado na pista e pegado fogo, deixando uma enorme nuvem de fumaça.
Com a visibilidade reduzida, os motoristas destes dois ônibus não conseguiram frear nem desviar. Foram em direção ao caminhão e acabaram entrando nas chamas.

(Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Dos 98 religiosos presentes, 53 não resistiram e morreram ainda no local, assim como os motoristas. Entre as vítimas, estavam crianças, adolescentes e membros da mesma família.
Várias outras pessoas ficaram feridas, entre elas duas vítimas que faleceram no hospital.
Segundo um médico da Unicamp que trabalhou na operação após o acidente, a identificação dos romeiros levou cerca de dois meses para ficar completa. Seis legistas e três dentistas atuaram juntos.
Por conta da carbonização, os profissionais precisaram recorrer a detalhes, como acessórios, arcadas dentárias e até mesmo o DNA para poder precisar as identidades.
Reportagens da época apontam que, nos primeiros três dias depois da tragédia, nove pessoas tinham sido nomeadas. Entre elas, havia um bebê de um ano, três crianças de 6, uma de 9 e um adolescente de 14.

Pessoas tentando prestar socorro após o acidente. (Foto: Arquivo Pessoal/ Badan Palhares)
Alguns corpos foram transportados até Anápolis pela Força Aérea Brasileira (FAB), sepultados em covas fornecidas pela Prefeitura. Algumas das vítimas foram enterradas sem o reconhecimento.
Em meio ao luto e à memória, a tragédia continua sendo lembrada pela comunidade anapolina. Nesta terça-feira (08), a Diocese de Anápolis, por meio da Paróquia São Pedro e São Paulo, celebra a Santa Missa dos Romeiros.
Ela acontece às 19h30 na Praça dos Romeiros, resgatando o memorial dedicado às pessoas que perderam a vida no acidente. O local é ainda mais simbólico do que o nome: fica entre os dois bairros onde moravam a maioria das vítimas.
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