Adeus, rachaduras na parede: cimento vivo consegue reparar trincas e fissuras sozinho e já começa a ser usado por construtoras
Uma tecnologia usa bactérias adormecidas para ajudar o próprio concreto a fechar pequenas fissuras quando a umidade entra na estrutura

Uma pequena fissura no concreto pode parecer apenas um problema estético. No entanto, a entrada de água e umidade pode acelerar o desgaste da estrutura com o passar do tempo. Por isso, pesquisadores e empresas estudam uma solução diferente: o cimento vivo, que consegue ajudar o próprio material a reparar determinadas fissuras.
Também conhecido como concreto autorregenerativo, o material incorpora mecanismos que entram em ação quando surgem pequenas aberturas. Dessa forma, a estrutura pode recuperar parte da região afetada sem depender imediatamente de um reparo convencional.
Como o cimento se recupera
O segredo está em bactérias que permanecem adormecidas dentro do concreto. Quando uma fissura permite a entrada de água, esses microrganismos podem voltar à atividade.
A partir daí, as bactérias participam de uma reação que produz minerais capazes de preencher parte da abertura. Assim, o processo ajuda a selar a fissura e diminui a passagem de água.
Além disso, essa característica pode aumentar a durabilidade de estruturas expostas constantemente à umidade. Consequentemente, a tecnologia também desperta interesse por seu potencial para reduzir determinados trabalhos de manutenção.

(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)
Tecnologia chega às obras
O conceito já ultrapassou os laboratórios. Construtoras começaram a utilizar a tecnologia em aplicações práticas. Ao mesmo tempo, pesquisadores estudam o concreto autorregenerativo para estruturas como pontes, túneis e edifícios.
Ainda assim, o material não funciona como uma espécie de concreto mágico. Ele não consegue eliminar qualquer rachadura e também não substitui uma avaliação técnica quando uma construção apresenta sinais de problemas.
Isso acontece porque o processo depende de fatores como o tipo e o tamanho da fissura, a umidade disponível e as características do concreto utilizado.
Menos manutenção no futuro
Mesmo com essas limitações, a tecnologia chama atenção porque pode mudar a maneira como algumas estruturas enfrentam pequenos danos.
Hoje, uma fissura exige acompanhamento e, dependendo da situação, um reparo específico. Com o concreto autorregenerativo, o próprio material pode ajudar a fechar determinadas aberturas antes que elas provoquem problemas maiores.
Dessa forma, a tecnologia pode prolongar a vida útil de algumas estruturas e diminuir intervenções ao longo do tempo. Além disso, a redução de reparos pode representar economia de materiais e mão de obra.
Por enquanto, portanto, o cimento vivo não significa o fim das rachaduras nas construções. Porém, a tecnologia mostra que o concreto pode ganhar mecanismos de autocura e se tornar mais resistente ao desgaste provocado pelo tempo.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








