Debate expõe corrida contra o tempo de Wilder e estratégias distintas de Daniel, Marconi e Luis Cesar na reta final

Segundo encontro com os quatro principais candidatos teve PL mais ofensivo, governador apoiado na própria gestão e tucano novamente disposto a confrontar o atual ciclo político

Denilson Boaventura Denilson Boaventura -
Debate expõe corrida contra o tempo de Wilder e estratégias distintas de Daniel, Marconi e Luis Cesar na reta final
Wilder Morais e Daniel Vilela em confronto no debate do Mais Goiás e Rádio Interativa. (Imagem: Ilustração/Captura de tela/Youtube)

A 17 dias do primeiro turno, o segundo debate com os quatro principais candidatos ao Governo de Goiás encontrou uma eleição que pouco mudou nas pesquisas, mas campanhas cada vez mais definidas na forma de buscar votos.

Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) estiveram nesta quinta-feira (17) no encontro promovido pelo Mais Goiás e Rádio Interativa. Saúde, infraestrutura, educação, contas públicas e segurança dividiram espaço com cobranças e comparações entre governos.

Foi a segunda vez em que os quatro se encontraram num debate nesta campanha. A primeira havia ocorrido em 30 de agosto, na PUC TV, em parceria com a Rádio Difusora e o Diário de Goiás.

Desta vez, Wilder chamou atenção pela disposição maior para o confronto.

Logo na primeira oportunidade, escolheu Daniel e cobrou uma solução para a fila de cirurgias eletivas. O governador respondeu citando a ampliação da rede estadual, hospitais, policlínicas e procedimentos realizados. Wilder insistiu e Daniel devolveu questionando a atuação do senador em Brasília.

A saúde reapareceu quando Wilder teve Marconi pela frente. O candidato do PL perguntou como o tucano pretende usar a rede privada para reduzir filas. Marconi defendeu a contratação complementar de leitos e aproveitou para criticar mudanças promovidas pelo atual governo.

A mudança de postura no palco acompanha também uma guinada na comunicação da campanha.

Desde o 7 de Setembro, Wilder passou a explorar de forma mais explícita a condição de candidato do PL e a proximidade com Jair e Flávio Bolsonaro. O alinhamento ganhou mais espaço no rádio, na televisão e nas redes sociais, junto ao discurso de representação da direita.

Na última Paraná Pesquisas/Portal 6, Wilder apareceu com 15% das intenções de voto, ante 13,2% na rodada de agosto. Daniel marcou 45,1%, contra 45,8% anteriormente, enquanto Marconi passou de 24,9% para 23,2%. Luis Cesar foi de 2,3% para 3,4%.

Com menos de três semanas até a votação e ainda atrás de Daniel e Marconi, Wilder parece ter chegado ao ponto em que precisa transformar essa movimentação em avanço eleitoral. No debate desta quinta, isso apareceu numa disposição maior para procurar justamente os dois adversários à sua frente.

Cada um no seu terreno

Daniel fez praticamente o movimento oposto.

Líder da Paraná Pesquisas/Portal 6, evitou abandonar a linha que vem adotando. Nas cobranças sobre saúde, educação e infraestrutura, respondeu apoiado principalmente em números e entregas do governo.

A posição é reforçada pela avaliação da administração estadual. Segundo a última rodada, 72,8% dos entrevistados aprovam o governo e 22,6% desaprovam.

Marconi, por sua vez, voltou ao terreno em que tem insistido durante a campanha: a comparação entre os quatro mandatos que exerceu e o atual ciclo de governo.

Questionou Daniel sobre hospitais e policlínicas, contestou a origem de obras apresentadas pela atual gestão e abriu outra frente ao levar as contas públicas para uma pergunta a Wilder. O senador respondeu com propostas para indústria e turismo, e a discussão avançou até a reforma tributária.

O tucano mantém a segunda posição na Paraná Pesquisas/Portal 6, mas também continua com a maior rejeição entre os candidatos testados: 40,9% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Daniel tem 16,8% e Wilder, 16,7%.

Luis Cesar seguiu em uma faixa própria.

O candidato do PT voltou a trazer o Governo Federal para a discussão, citou BR-153 e Ferrovia Norte-Sul e defendeu maior participação da União no desenvolvimento de Goiás. Também insistiu no fortalecimento da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e na industrialização ligada à exploração das terras raras.

O debate, assim, mostrou quatro candidaturas com problemas diferentes para resolver nas últimas semanas.

Daniel tenta preservar a dianteira e associar a candidatura aos resultados do governo. Marconi busca encurtar a distância recorrendo à experiência administrativa e ao confronto com a atual gestão. Luis Cesar procura espaço vinculando sua campanha ao governo Lula. Wilder aumentou o confronto e tornou mais explícita a tentativa de ocupar o campo bolsonarista em Goiás.

O calendário agora vai apertar ainda mais.

Os quatro têm presença confirmada no debate de O Popular e CBN Goiânia, em 24 de setembro. Depois, voltam a se encontrar em 29 de setembro, na TV Anhanguera, no último debate previsto entre eles antes do primeiro turno.

Antes disso, haverá um novo teste nas pesquisas. O Portal 6 já contratou a terceira rodada da Paraná Pesquisas, que irá a campo na próxima semana.

O levantamento deve oferecer uma fotografia mais atual dessa reta final, já depois da mudança de tom na campanha de Wilder e deste segundo encontro entre os quatro principais candidatos.

Por enquanto, Daniel segue à frente, Marconi ocupa a segunda posição e Wilder tenta correr contra o tempo.

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Denilson Boaventura

Denilson Boaventura

Graduado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Marketing, Estratégia e Inovação Digital pelo Centro Universitário Araguaia (UniAraguaia).

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