Pai comprou fábrica há mais de 100 anos e filho virou o mestre cervejeiro mais antigo do Brasil, trabalhando com máquinas de museu e ganhando até selo dos Correios

Uma rotina iniciada ainda na adolescência atravessou praticamente uma vida inteira e transformou uma pequena fábrica em testemunho de outra época

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
seu Lefla, e empresa
(Foto: Reprodução)

O mestre cervejeiro mais antigo do Brasil passou praticamente toda a vida entre caldeiras, tanques e equipamentos de outra época. Rupprecht Loeffler, conhecido como “Seu Lefla”, ajudou a manter viva por décadas uma produção artesanal em Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina.

A história familiar começou em 1924, quando Otto Loeffler, pai de Rupprecht, comprou uma cervejaria que já funcionava desde 1908. O empreendimento havia nascido com outro nome e, posteriormente, tornou-se a Cervejaria Canoinhense.

Ainda adolescente, Rupprecht começou a acompanhar o pai na fabricação. Em 1938, comprou a parte do irmão e seguiu dedicado ao negócio.

Equipamentos atravessaram décadas

Enquanto a indústria cervejeira incorporava máquinas modernas e processos automatizados, a família manteve boa parte do método tradicional.

A produção utilizava uma caldeira aquecida a lenha, tanques antigos e trabalho predominantemente manual. O processo completo levava cerca de 20 dias e cada fabricação rendia aproximadamente 1,5 mil litros.

A longevidade dos equipamentos era tamanha que algumas peças já eram descritas como itens que dificilmente seriam encontrados fora de museus.

A preservação de técnicas antigas também aparece em outros negócios brasileiros, como uma cervejaria centenária instalada no porão de uma igreja.

História virou até selo

Rupprecht nasceu em 5 de junho de 1917 e ganhou reconhecimento para além da cidade catarinense.

Em 2009, quando completou 92 anos, os Correios lançaram selos personalizados em homenagem ao cervejeiro. Um deles trazia uma fotografia dele segurando um caneco de chope.

Sua rotina também virou o curta-metragem Cerveja Falada, lançado em 2010.

A trajetória lembra outras histórias familiares em que técnicas atravessaram gerações, como a de uma produção artesanal de bebidas mantida durante oito décadas em Santa Catarina.

Rupprecht morreu em fevereiro de 2011, aos 93 anos. A antiga fábrica ainda permaneceu ligada à família depois disso, mas atualmente está permanentemente fechada.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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