Pedreiros concordam: misturar cimento com isopor é o segredo para fazer pisos melhores

Uma técnica que mistura um material leve ao cimento pode ajudar a reduzir o peso do contrapiso e ainda oferecer isolamento térmico

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
cimento com isopor
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial)

Quem já acompanhou uma reforma sabe que preparar um piso pode envolver muito mais do que escolher o revestimento. Antes do porcelanato, da cerâmica ou de outro acabamento, existe uma etapa importante para corrigir desníveis e preparar a superfície.

Além disso, dependendo da estrutura da construção, o peso dos materiais usados no preenchimento também merece atenção. É justamente nesse ponto que uma técnica pouco conhecida por quem não trabalha na área pode ser interessante.

Em vez de utilizar apenas a mistura convencional, profissionais podem incorporar pérolas de EPS, conhecidas popularmente como isopor, ao cimento. O resultado é um tipo de concreto leve que pode ser utilizado em determinadas aplicações de pisos e contrapisos.

Por que colocar isopor no cimento?

O EPS possui densidade muito baixa e é formado majoritariamente por ar. Quando incorporado corretamente à mistura, ele reduz a densidade do material final em comparação com um concreto convencional.

Por isso, o concreto leve com EPS pode ser utilizado para regularizar lajes, preencher desníveis e executar determinados tipos de contrapiso, principalmente quando existe preocupação com a carga adicionada à estrutura.

Outro benefício está no conforto térmico. As pequenas partículas de EPS ajudam a dificultar a passagem de calor, contribuindo para o isolamento da superfície onde o material é aplicado. Dependendo da composição, o material também pode oferecer propriedades de isolamento acústico.

Não é só misturar qualquer isopor

Apesar de parecer simples, o preparo exige alguns cuidados. Não basta pegar pedaços de isopor de uma embalagem e jogar dentro do cimento.

Para a construção civil, existem pérolas de EPS próprias para esse tipo de aplicação, e o traço precisa considerar a densidade e a finalidade do concreto leve. Fabricantes apresentam diferentes proporções de cimento, areia, água, EPS e aditivos justamente porque o resultado muda conforme a aplicação.

Além disso, o EPS tende a flutuar durante a mistura. Por isso, a incorporação precisa acontecer de maneira controlada para que as partículas fiquem distribuídas pelo material.

Como a mistura é preparada

De modo geral, a preparação começa com os componentes líquidos e o cimento. Depois, o EPS entra gradualmente, enquanto a mistura continua sendo movimentada.

Um cuidado importante é alcançar uma consistência uniforme sem deixar o material excessivamente líquido. O objetivo é fazer com que as partículas fiquem incorporadas à massa, em vez de se separarem durante o preparo.

No Brasil, a técnica já aparece em aplicações como regularização de lajes, contrapisos, calçadas e outros elementos da construção. Pesquisas brasileiras também estudam compósitos de cimento com poliestireno expandido para aplicações em pisos e outros componentes.

Por fim, vale lembrar que o concreto leve com EPS não substitui automaticamente o concreto convencional em qualquer parte da obra. A escolha depende da função do piso, da carga que ele receberá e das características da estrutura.

Assim, antes de reproduzir a técnica em uma reforma, o ideal é verificar o projeto e contar com orientação de um profissional. O isopor pode deixar a mistura mais leve e melhorar determinadas propriedades, mas o resultado depende principalmente do traço e da aplicação correta.

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