Avó troca o botijão de gás sozinha e acaba descobrindo qual distância mínima ele precisa ficar do fogão para atender às normas e não virar risco
Um posicionamento errado, mesmo que por poucos centímetros, pode ser a diferença entre uma cozinha segura e um acidente evitável

Trocar um botijão de gás parece uma tarefa das mais simples do dia a dia, mas alguns detalhes técnicos, quase sempre ignorados, podem transformar essa rotina em um risco silencioso dentro de casa.
Em uma história fictícia criada para ilustrar o problema, uma aposentada resolveu trocar sozinha o botijão de gás e, ao reposicionar o recipiente na cozinha, descobriu que a distância escolhida não era a recomendada pelas normas técnicas.
No caso, Dona Marlene tinha 68 anos, morava sozinha em uma casa no interior de Goiás e estava acostumada a resolver as tarefas domésticas sem depender de terceiros. Quando o gás acabou no meio do preparo do almoço, ela foi até a área de serviço, pegou o botijão reserva e fez a troca por conta própria.
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Distância chamou atenção
Para facilitar o acesso durante o preparo das refeições, Dona Marlene posicionou o novo botijão bem próximo ao fogão, quase encostado na lateral do móvel.
Dias depois, o entregador da distribuidora de gás notou a instalação e explicou que aquele posicionamento não seguia a distância mínima de segurança prevista para recipientes de GLP.
Segundo a NBR 13523:2019, que trata das centrais de gás liquefeito de petróleo, e as orientações do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, o botijão precisa ficar afastado de qualquer fonte de calor ou chama, evitando o contato direto com o calor do fogão. Na prática, a recomendação usualmente adotada é de cerca de 1,5 metro de distância entre o botijão e o fogão, o suficiente para reduzir o aquecimento do cilindro e o risco de reação em caso de vazamento.
Mangueira e regulador também precisam de atenção
O material consultado destaca que a distância do fogão não é o único ponto relevante na instalação.
A mangueira que liga o botijão ao fogão deve ter identificação do Inmetro, prazo de validade visível e comprimento limitado, sem emendas ou uso de arame e esparadrapo no lugar de braçadeiras próprias.
O regulador de pressão também tem validade determinada, normalmente de cinco anos, e precisa ser rosqueado apenas com as mãos, sem uso de ferramentas que possam danificar a rosca.
E se houver um vazamento?
Outro ponto levantado no caso fictício envolve a ventilação do ambiente.
Como o GLP é mais pesado que o ar, ele tende a se acumular em locais fechados e baixos caso haja um vazamento.
Por isso, o botijão nunca deve ficar dentro de armários fechados, atrás do fogão ou próximo a ralos e tomadas elétricas, situações que dificultam a dispersão do gás e aumentam o risco de explosão do ambiente diante de uma simples fonte de ignição, como um interruptor de luz.
O que observar antes de trocar o botijão sozinho
Antes de fazer a troca por conta própria, o morador deve verificar se o botijão não está amassado, enferrujado ou sem o lacre de segurança sobre a válvula.
Também vale testar possíveis vazamentos com espuma de sabão na válvula, nunca com fósforo ou isqueiro, e manter o registro de gás sempre visível e de fácil acesso para fechamento rápido em uma emergência.
A história de Dona Marlene é fictícia, mas ilustra um cuidado real: trocar o botijão de gás sozinho é seguro, desde que a distância do fogão, o estado da mangueira e a ventilação do ambiente estejam de acordo com as normas técnicas.
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