Eleição para o Senado tem PL em ascensão, centro isolado e nomes tradicionais em risco
Senado será renovado em dois terços, com a eleição de dois senadores em cada unidade da federação

JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – Os eleitores vão às urnas neste domingo (4) para escolher 54 novos senadores em meio a um cenário que projeta uma ascensão do PL, uma provável redução das bancadas dos partidos de centro e políticos tradicionais em risco em suas tentativas de reeleição.
O Senado será renovado em dois terços, com a eleição de dois senadores em cada unidade da federação. Pesquisas Quaest e Datafolha realizadas nas últimas duas semanas não apontam favoritos claros na maioria dos estados, o que indica chance de reviravoltas na reta final da campanha.
O PL, que tem dez senadores em meio de mandato, deve ampliar sua bancada de forma significativa. Pesquisas apontam que ao menos 11 nomes do partido estão numericamente em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas Quaest e Datafolha. Outros 10 candidatos estão empatados com os líderes dentro da margem de erro e podem surpreender.
O partido busca uma maioria capaz de aprovar a anistia aos presos do 8 de janeiro e levar adiante uma das principais bandeiras da direita bolsonarista: o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
A ofensiva contra o STF ganhou novo impulso após a divulgação de detalhes de conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Nas últimas semanas, a direita tem feito movimentos para reduzir as divisões internas dentro do campo conservador. Ex-ministro de Bolsonaro, Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado em São Paulo para apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
A avaliação foi de que uma divisão dos votos da direita entre três candidatos poderia dar margem para a eleição de aliados de Lula, caso das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
No Distrito Federal, houve um movimento semelhante: Ronaldo Fonseca (PSD) saiu do páreo para apoiar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL.
Na esquerda, o presidente Lula tem demonstrado preocupação com a divisão na base aliada na disputa pelas cadeiras na Casa legislativa. O petista criticou as candidaturas independentes e previu uma “crise sem precedente” caso tenha que cumprir um mandato com minoria no Senado.
A declaração foi dada após vaias ao candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD) em um ato no Rio de Janeiro. Ele é companheiro de chapa da deputada Benedita da Silva (PT) ao cargo, mas parte da esquerda sinaliza apoio à vereadora Mônica Benício (PSOL).
O presidente repetiu a crítica em Belém, onde a base se divide entre Helder Barbalho (MDB), Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT) na disputa pelo Senado. No ato de campanha, o presidente sugeriu uma unificação com a retirada de uma das candidaturas.
Líder nas pesquisas para o Senado no Pará, Helder faz parte do grupo de ex-governadores que devem renovar o Senado. Entre eles estão Renato Casagrande (PSB-ES), João Azevêdo (PSB-PB), Gladson Cameli (PP-AC), Mauro Mendes (União Brasil-MT), Rui Costa (PT-BA) e Reinaldo Azambuja (PL-MS).
Os partidos de centro enfrentam um cenário desafiador, imprensados diante da polarização entre esquerda e direita. O PSD tem 10 senadores em fim de mandato, mas apenas seis disputam a reeleição. Entre eles estão nomes em dificuldades, caso de Carlos Fávaro (MT) e Sérgio Petecão (AC).
Nomes que eram considerados competitivos e cotados para disputar a Presidência, como Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS), desistiram de disputar a eleição para o Senado.
O MDB também tem 10 senadores, sendo 9 em fim de mandato. Mas aparece à frente com uma margem confortável apenas no Pará, com Helder Barbalho, e no Amazonas, com Eduardo Braga. Mas tem chances com nomes alinhados a Lula no Nordeste e ao bolsonarismo no Centro-Oeste.
Alguns medalhões do Senado também estão com a reeleição ameaçada, inclusive alguns dos nomes mais longevos na Casa.
Com quatro mandatos consecutivos, Renan Calheiros (MDB) tenta nova reeleição em Alagoas, mas enfrenta uma concorrência acirrada na oposição com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e Marina Cândia (PSDB), ex-primeira-dama de Maceió.
Nas últimas semanas, Renan tem direcionado seus ataques a Lira e busca sensibilizar o voto feminino, sugerindo que as eleitoras busquem os nomes dos candidatos envolvidos em relatos de violência contra mulheres.
Lira já foi investigado por suposta agressão à ex-mulher, mas a ação penal foi arquivada pelo STF em setembro de 2015.
Com duas passagens pelo Senado, Esperidião Amin (PP) está com a reeleição em risco em Santa Catarina diante da concorrência da deputada Carol de Toni e do ex-vereador Carlos Bolsonaro, ambos do PL. Para disputar com o filho do ex-presidente, que não tem trajetória política no estado, Amin apostou em um lema “catarinense raiz.”
Ciro Nogueira (PP) também enfrenta um cenário difícil em sua reeleição no Piauí, onde está na oposição ao governador Rafael Fonteles (PT). Acossado pelas investigações que apontam a relação dele com Daniel Vorcaro, do Banco Master, faz uma campanha ancorada nas emendas parlamentares.
Dentre os senadores petistas, Randolfe Rodrigues (AP), Fabiano Contarato (ES) e Jaques Wagner (BA) também enfrentam disputas acirradas em seus estados. O baiano, que tem o ex-ministro Rui Costa (PT) como companheiro de chapa, é alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas ao Master.
O PT atualmente possui 9 senadores, sendo 6 em fim de mandato, cinco deles disputando a reeleição. A sigla aposta ainda em nomes novos para o Senado como Paulo Pimenta (RS), Benedita da Silva (RJ) e Marília Campos (MG), além do retorno de nomes experientes como Gleisi Hoffmann (PR).
Ao lado de partidos aliados, os petistas buscam construir uma maioria para dar maior tranquilidade a Lula em um eventual quarto mandato do atual presidente.
Também estão com os mandatos na berlinda parte dos senadores eleitos em 2022 na esteira da antipolítica da Lava Jato.
Surpresas no Espírito Santo em 2018, Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante) enfrentam uma eleição difícil contra candidaturas com mais estrutura, caso do ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Soraya Thronicke (PSB) perdeu espaço em Mato Grosso do Sul após romper com Bolsonaro e tenta se reeleger como aliada de Lula. No mesmo estado, Nelsinho Trad (PSD) desistiu da reeleição e virou suplente na chapa de Reinaldo Azambuja.
A expectativa é de uma renovação alta no Senado. Dos 54 senadores em fim de mandato, 22 nem sequer disputaram a reeleição.
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