Castelo abandonado no interior de Goiás chama atenção pela arquitetura e história cercada de mistérios
Construído há mais de um século, imóvel de influência europeia guarda histórias de antigos moradores e enfrenta um futuro incerto no interior goiano

Um castelo abandonado no interior de Goiás chama atenção pela arquitetura de inspiração europeia, pelas escadarias de pedra e por uma história que remonta ao início do século XX.
Apesar da aparência de antiga residência da nobreza, a construção nasceu para abrigar uma família ligada a um importante projeto agropecuário do governo federal.
Conhecido como Castelinho de Urutaí, o imóvel fica dentro do campus do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), no município de Urutaí, a aproximadamente 170 quilômetros de Goiânia.

Escadarias e elementos ornamentais estão entre os principais destaques arquitetônicos da construção. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
A construção surgiu por volta de 1920, quando a região passava por transformações econômicas impulsionadas pela chegada da Estrada de Ferro Goiás e pela expansão da pecuária.
Segundo pesquisas sobre a história da instituição, os responsáveis pela obra foram os irmãos Garcia, dois construtores espanhóis que chegaram ao Brasil pelo Porto de Santos e seguiram de trem até o interior goiano.
A residência foi erguida para o diretor da Fazenda Modelo de Criação de Urutaí, empreendimento federal criado em 1918 para desenvolver a pecuária regional e aprimorar a criação de bovinos.
Um castelo que guarda mais de 100 anos de história
Embora seja chamado de castelo, o prédio é uma residência de arquitetura eclética, marcada por influências europeias e detalhes incomuns para as construções rurais da época.
Entre suas características estão paredes ornamentadas, janelas altas, falsas pilastras com elementos clássicos e um porão elevado. Duas escadarias de pedra também reforçam a aparência imponente do imóvel.
Durante décadas, o Castelinho serviu como moradia dos diretores da instituição, função que manteve até aproximadamente 1980. Posteriormente, permaneceu fechado até ser transformado em museu, no ano 2000.
O espaço chegou a reunir fotografias, objetos utilizados em atividades escolares e documentos relacionados à história da antiga Fazenda Modelo.
Entretanto, problemas de conservação levaram ao fechamento do prédio em 2015. Naquele período, foi solicitada uma avaliação ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), diante da possibilidade de tombamento.

Antiga residência dos diretores da Fazenda Modelo integra a memória do atual IF Goiano. (Foto: Reprodução/IF Goiano)
Um relatório técnico destacou a importância arquitetônica da construção, especialmente pelos acabamentos e pela preservação de características originais.
Apesar do reconhecimento histórico, o imóvel não recebeu tombamento federal naquele processo. Também não foi encontrada confirmação de restauração concluída até outubro de 2026.
Hoje, o Castelinho permanece como testemunho da transformação de uma antiga fazenda experimental em instituição de ensino, preservando parte da memória de Urutaí e dos primeiros projetos de modernização agropecuária de Goiás.
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