Megaobra de R$ 20 bilhões vai ligar Goiás ao Nordeste por linha de transmissão de quase 1.500 km

Projeto pretende facilitar o aproveitamento da produção eólica e solar em regiões com limitações na rede

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Megaobra de R$ 20 bilhões vai ligar Goiás ao Nordeste por linha de transmissão de quase 1.500 km
(Foto: Divulgação/Subestação Graça Aranha Silvânia)

Uma megaobra de R$ 20 bilhões vai conectar Goiás a um corredor de transmissão de energia com aproximadamente 1.500 quilômetros de extensão.

O empreendimento Graça Aranha-Silvânia, ligado à chinesa State Grid, passará por Maranhão, Tocantins e Goiás para ampliar a capacidade de transporte de eletricidade entre diferentes regiões brasileiras.

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou, em julho deste ano, a antecipação do início da operação de 2030 para março de 2028. A estrutura deverá acrescentar 5 gigawatts (GW) de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN), reforçando a conexão entre as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

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A linha ligará a Subestação Graça Aranha, no Maranhão, à Subestação Silvânia, em Goiás. O projeto inclui ainda estações conversoras e outros equipamentos necessários para integrar a eletricidade transportada à rede nacional.

Como funcionará a megaobra?

O sistema utilizará corrente contínua de ultra-alta tensão, em ±800 quilovolts (kV). Essa tecnologia permite transportar grandes quantidades de energia por longas distâncias e ajuda a reduzir perdas elétricas durante a transmissão.

Na prática, a estrutura permitirá ampliar o fluxo de eletricidade entre regiões produtoras e centros consumidores.

O empreendimento também prevê conexões com outras instalações estratégicas do sistema elétrico brasileiro.

Aproveitamento da energia renovável

O crescimento da geração eólica e solar aumentou a necessidade de linhas capazes de transportar a eletricidade produzida até os locais onde ela será consumida.

Quando a rede não consegue absorver toda a energia disponível, usinas podem ser obrigadas a reduzir temporariamente a produção. Essa situação é conhecida como curtailment.

Com a ampliação da capacidade de transmissão, a linha Graça Aranha-Silvânia poderá contribuir para reduzir limitações desse tipo e facilitar o aproveitamento da geração renovável.

O resultado, porém, também dependerá das condições operacionais do restante do sistema elétrico.

Grandes instalações em Goiás e no Maranhão

A implantação envolve não apenas a instalação de torres e cabos, mas também a construção de estruturas complexas para converter e integrar a eletricidade à rede nacional.

Na página institucional do projeto GATE, a CET Brazil informa que seu escopo inclui a construção das estações conversoras de Graça Aranha e Silvânia, além dos eletrodos e de estruturas repetidoras ao longo da linha. A empresa também apresenta etapas de obras civis, aquisição de equipamentos e instalação eletromecânica.

A página classifica o projeto como em andamento e prevê duração contratual de 2025 a 2029.

A antecipação anunciada pelo governo para março de 2028 representa uma previsão de início da operação do empreendimento, cuja conclusão depende do avanço das diferentes frentes de trabalho e dos procedimentos técnicos necessários à integração da estrutura ao sistema elétrico brasileiro.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.