Rodrigo Martín, eletricista: “As pessoas gastam uma fortuna em um sofá, mas acham caro investir na instalação elétrica da própria casa”
Fios, disjuntores e proteções ficam escondidos depois da obra, mas uma economia feita nessa etapa pode aparecer anos depois na forma de um problema caro

Na hora de construir ou reformar, é comum reservar dinheiro para piso, móveis, eletrodomésticos e decoração. Já a instalação elétrica, que quase desaparece depois que as paredes são fechadas, costuma receber menos atenção.
O eletricista Rodrigo Martín chama atenção justamente para essa inversão de prioridades. Segundo ele, muita gente aceita gastar uma fortuna em um sofá, mas considera excessivo investir na infraestrutura que alimentará praticamente tudo dentro da residência.
Por que vale a pena investir na instalação elétrica?
Uma casa moderna exige muito mais energia do que décadas atrás.
Ar-condicionado, chuveiro elétrico, forno, air fryer, secadora e outros aparelhos podem funcionar ao mesmo tempo. Se cabos, circuitos e dispositivos de proteção não estiverem dimensionados para essa demanda, aumentam os riscos de aquecimento e sobrecarga.
O problema é que uma tomada aparentemente funcionando não significa que toda a instalação esteja segura.
Fiação antiga, emendas improvisadas ou disjuntores inadequados podem permanecer escondidos até surgir cheiro de queimado, aquecimento ou interrupções frequentes.
Incêndios elétricos mostram o tamanho do risco
Dados divulgados em 2026 apontaram crescimento expressivo dos incêndios de origem elétrica no Brasil.
O número de ocorrências monitoradas passou de 606 para 1.304 entre 2021 e 2025.
Entre as situações associadas a acidentes estão sobrecarga de tomadas, extensões usadas permanentemente, fios danificados e adaptações improvisadas.
É justamente por isso que o investimento elétrico não deve ser tratado apenas como acabamento da obra.
Disjuntores não resolvem tudo sozinhos
O quadro elétrico precisa reunir diferentes formas de proteção.
Os disjuntores são dimensionados para proteger circuitos contra situações como sobrecarga e curto-circuito.
Já o DR (dispositivo diferencial residual) possui função importante contra choques elétricos e é especialmente relevante em circuitos sujeitos à umidade, como banheiros, cozinhas e áreas de serviço.
O projeto também pode prever DPS, utilizado para proteção contra surtos elétricos, além de um sistema de aterramento corretamente executado.
Mais aparelhos podem exigir novos circuitos
Comprar um equipamento potente e simplesmente ligá-lo onde houver tomada disponível nem sempre é adequado.
A potência dos aparelhos precisa ser considerada no cálculo da instalação. Equipamentos como chuveiros e aparelhos de ar-condicionado podem precisar de circuitos compatíveis com suas características.
Por isso, trocar apenas o disjuntor por outro de maior capacidade sem avaliar a fiação pode aumentar o risco em vez de resolver o problema.
Cuidados na hora de planejar a instalação elétrica da casa
O primeiro passo é levantar quais aparelhos serão utilizados em cada ambiente, inclusive aqueles que poderão ser comprados futuramente. Com essa informação, um profissional pode dimensionar os cabos, dividir corretamente os circuitos e escolher os dispositivos de proteção.
Também vale prever quantidade suficiente de tomadas, evitando depender diariamente de benjamins e extensões. Cozinha, lavanderia, banheiro e áreas externas merecem atenção especial por concentrarem equipamentos potentes ou contato com umidade.
Materiais como fios, cabos, tomadas, extensões e disjuntores devem possuir certificação quando exigida pelo Inmetro.
O investimento que fica escondido dentro da parede
Rodrigo Martín resume o problema ao comparar os gastos com a parte visível da casa aos investimentos em eletricidade.
Um sofá pode ser substituído quando envelhece. Já corrigir uma instalação mal planejada pode exigir quebrar paredes, trocar cabos e refazer parte da reforma.
Por isso, economizar justamente nessa etapa pode significar gastar muito mais depois, além de colocar moradores e patrimônio em risco.
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