Conheça a cidade goiana que já teve nome inspirado em um facão sem cabo usado para espantar cobradores

Um pequeno povoado surgido no interior de Goiás ganhou um nome incomum antes mesmo de se tornar município. A explicação atravessou gerações e mistura ocupação rural, pioneiros e uma história curiosa sobre dívidas

Moiporá
Foto: Reprodução/ moipora.go.gov.br

Uma pequena cidade do oeste de Goiás começou a se formar com famílias que chegaram à região em busca de terras para plantar e criar animais. Antes de conquistar autonomia, porém, o lugar ficou conhecido por um nome tão incomum quanto a história contada para explicá-lo.

O antigo povoado chamava-se Cobó. A denominação aparece em registros históricos e permaneceu na memória regional, acompanhada de uma tradição segundo a qual um facão sem cabo teria sido usado para afastar credores que apareciam para cobrar dívidas.

A cidade é Moiporá

A história é de Moiporá, município que atualmente tem população estimada em cerca de 1,7 mil habitantes.

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Prefeitura Municipal : Moiporá
Praça da Saudade : Moiporá
Posto de Saúde : Moiporá
Prefeitura Municipal : Moiporá
Praça da Saudade : Moiporá
Posto de Saúde : Moiporá

A versão municipal atual aponta que as primeiras famílias chegaram à região em 1919, entre elas Joaquim Cabó, integrantes da família Machado e os familiares de Florentino Rosa. Em 1929, Sebastião Moreira da Silva chegou com filhos e genros vindos de Moitu, atual Cachoeira de Goiás.

Com novas famílias, doações de terras e a formação de moradias próximas ao córrego Cobó, o núcleo começou a ganhar características de povoado.

O que o facão tem a ver com o nome Cobó?

É nesse ponto que entra a tradição oral.

Um histórico preservado em documentos públicos afirma que “cobó” era o nome dado a um facão sem cabo. Segundo a narrativa, um dos pioneiros utilizava a ferramenta contra credores que se aventuravam a procurá-lo para cobrar dívidas.

Um dicionário regional do vocabulário tocantinense registra “cobó” como um facão curto pelo desgaste ou pedaço de facão, o que reforça que a palavra realmente circulava no interior do Centro-Oeste com esse significado.

O episódio envolvendo os cobradores, entretanto, não aparece acompanhado de documento da época, como carta, processo ou registro policial. Por isso, deve ser entendido como uma história transmitida pela comunidade e posteriormente incorporada ao relato histórico oficial.

Pesquisadores confirmam a existência de Cobó

A existência do antigo povoado encontra respaldo além da tradição.

O historiador e pesquisador do oeste goiano Moizeis Alexandre Gomis inclui Cobó, atual Moiporá, entre os povoados e agrovilas que participaram do processo de ocupação da região de Iporá no século XX.

Estudos realizados posteriormente em Messianópolis, distrito pertencente a Moiporá, utilizam entrevistas com moradores para registrar conhecimentos, crenças e saberes locais. Esse tipo de pesquisa mostra a importância da memória oral para preservar aspectos culturais de comunidades pequenas, embora não seja uma comprovação direta da história do facão.

De Cobó para Moiporá

A denominação mudou oficialmente em 8 de outubro de 1953, quando o povoado foi elevado a distrito de Aurilândia.

O novo nome, Moiporá, foi formado pela combinação de Moitu, atual Cachoeira de Goiás, com Iporá, duas referências importantes da região. A emancipação municipal veio pela Lei Estadual nº 2.136, de 14 de novembro de 1958, e a instalação ocorreu em janeiro de 1959.

Hoje, portanto, Cobó permanece principalmente na memória histórica, inclusive no nome do córrego local. Já o curioso episódio do facão continua como uma tradição transmitida entre gerações, preservando uma das histórias mais peculiares sobre a origem dos municípios goianos.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.