Aos 34 anos, homem transforma uma garrafa de refrigerante em 11,5 metros de material para impressoras 3D e recebe 14 milhões de pesos para ampliar projeto
Uma inquietação com a quantidade de resíduos descartados no trabalho levou um designer argentino a experimentar soluções dentro de casa até transformar a ideia em um negócio sustentável

Durante anos, Francisco Martinenghi acompanhou de perto a quantidade de plástico, vinil e outros materiais que acabavam no lixo depois de serviços gráficos. A rotina despertou uma pergunta simples: será que tudo aquilo realmente precisava ser descartado?
A curiosidade levou o argentino de 34 anos a fazer experiências em casa, modificar equipamentos e testar diferentes resíduos. O que começou de maneira artesanal acabou se transformando em um projeto que chamou atenção até de um programa de incentivo a negócios sustentáveis.
Uma garrafa pode render 11,5 metros de filamento
Martinenghi criou em Neuquén, na Argentina, o projeto Punto Verde Gráfico, voltado ao reaproveitamento de materiais descartados.
Uma das soluções desenvolvidas transforma garrafas plásticas de refrigerante em matéria-prima para impressoras 3D.
Segundo o empreendedor, uma garrafa de 2,25 litros pode render cerca de 11,5 metros de filamento, quantidade suficiente para aproximadamente seis ou sete horas de impressão.
O número corresponde aos resultados obtidos no processo desenvolvido por ele e pode variar conforme o recipiente e as condições de processamento.
Como a garrafa vira material para impressão 3D?
O processo parte do plástico da própria embalagem.
Depois de preparada, a garrafa é cortada em tiras e passa por um sistema de extrusão, no qual o material é aquecido e convertido em uma faixa adequada para alimentar determinadas impressoras 3D.
Um detalhe interessante é que o filamento mantém a cor da embalagem original, reduzindo a necessidade de adicionar pigmentos.
Pesquisas acadêmicas já demonstram que o PET reciclado pode ser utilizado como matéria-prima para manufatura aditiva, embora temperatura, composição e parâmetros da impressora influenciem a qualidade final das peças.
Produtos reais
A ideia não ficou restrita às garrafas. O projeto também trabalha com tampinhas, sacolas, lonas publicitárias, restos de vinil e até alguns resíduos eletrônicos.
Entre os objetos já desenvolvidos estão placas plásticas, cartazes, jogos educativos, protótipos e armações de óculos. Em um dos testes, Martinenghi afirmou ter conseguido produzir duas armações utilizando material proveniente de uma única garrafa.
Projeto recebeu 14 milhões de pesos
Em 2025, o empreendimento foi selecionado pelo programa Impacta Neuquén, voltado a negócios com impacto econômico, social e ambiental.
Mais de 360 pessoas participaram do processo e 97 projetos foram apresentados.
Ao final, 15 iniciativas foram escolhidas para receber 14 milhões de pesos argentinos cada uma, totalizando 210 milhões de pesos em recursos destinados aos empreendedores selecionados.
Martinenghi pretende utilizar o dinheiro para ampliar a produção, comprar equipamentos e fortalecer a estrutura do negócio.
Próximo passo é deixar a produção artesanal
Entre os planos está a aquisição de máquinas maiores, incluindo uma trituradora industrial. A intenção é processar volumes maiores de resíduos e, futuramente, ampliar a equipe.
O desafio agora é transformar uma operação criada praticamente dentro de casa em um modelo capaz de trabalhar em maior escala.
A história mostra como uma embalagem que normalmente terminaria no lixo pode ganhar uma segunda função quando reciclagem e tecnologia são combinadas.
Para Martinenghi, o objetivo deixou de ser apenas reutilizar algumas garrafas: a meta é demonstrar que resíduos também podem funcionar como matéria-prima para novos produtos e negócios.
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