Não é na França, nem na Itália: cidade do Nordeste produz vinhos em pleno sertão e consegue colher uvas várias vezes ao ano
Sol intenso, pouca chuva e água do São Francisco criaram uma vitivinicultura diferente daquela encontrada nas regiões tradicionais do mundo

Quem imagina vinhedos costuma pensar em regiões de clima frio ou temperado, como França, Itália e o Sul do Brasil. No entanto, no sertão nordestino existe uma produção de uvas e vinhos que funciona sob condições completamente diferentes.
Um dos principais polos fica em Petrolina, em Pernambuco, no Vale do São Francisco. Ali, o clima quente durante praticamente todo o ano permite manejar as videiras de forma que haja produção contínua e colheitas em diferentes épocas.
Duas safras por ano
Segundo a Embrapa, os vinhedos destinados aos vinhos do Vale do São Francisco costumam receber duas podas anuais, que resultam em duas safras. Além disso, como as áreas são manejadas em momentos diferentes, as colheitas podem acontecer de forma escalonada ao longo de praticamente todo o ano.
Em algumas condições de manejo, pesquisas mais antigas da própria Embrapa apontam possibilidade de duas a três safras anuais. Por isso, a região se diferencia fortemente das áreas vitivinícolas de clima temperado, onde normalmente ocorre apenas uma colheita por ano.
Como isso é possível
O segredo está na combinação de muito sol, altas temperaturas e irrigação controlada com água do Rio São Francisco.
Como as chuvas são irregulares e insuficientes, os produtores usam irrigação para determinar quando a planta deve crescer, repousar e voltar a produzir. Assim, conseguem programar poda e colheita com muito mais flexibilidade.
A região também recebe forte radiação solar durante todo o ano. Isso favorece a maturação das uvas e permite ciclos sucessivos de produção.
Vinhos do sertão
O Vale do São Francisco produz tintos, brancos, rosés e espumantes. Entre as variedades cultivadas estão Syrah, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Sauvignon Blanc.
Além disso, a região possui Indicação de Procedência Vale do São Francisco. A área delimitada inclui Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, em Pernambuco, além de Casa Nova e Curaçá, na Bahia.
Petrolina também se destaca pela produção de uvas de mesa. Em 2025, o município tinha cerca de 11,9 mil hectares cultivados, figurando entre os maiores produtores do país.
Assim, em pleno semiárido, a paisagem de vinhedos irrigados mostra que a produção de vinho no Brasil vai muito além das regiões tradicionalmente associadas à bebida.
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