Redes de supermercado e farmácia se antecipam e anunciam o fim da escala 6×1 para os funcionários
Mudanças estratégicas ganham força, enquanto trabalhadores acompanham os próximos passos de uma transformação nacional

Grandes redes de supermercados e farmácias começaram a reorganizar as jornadas dos funcionários e ampliar o número de folgas semanais. A iniciativa ganhou força antes da aplicação das novas regras nacionais, enquanto empresas buscam atrair profissionais e reduzir a rotatividade.
Entre as companhias que adotaram ou iniciaram os testes com a nova etapa estão RD Saúde, responsável por Raia e Drogasil, Grupo DPSP, dono das Drogarias São Paulo e Pacheco, Savegnago, Supernosso, Extrabom e Coop. Entretanto, o alcance da mudança varia conforme cada empresa.
A RD Saúde implementou o modelo 5×2 em mais de 3,5 mil farmácias. Já o Grupo DPSP estendeu a organização a aproximadamente 24 mil trabalhadores, distribuídos por 1.650 unidades em 12 estados. As informações foram divulgadas pelas entidades do setor.
Supermercados ajustam operações
No setor alimentar, o Savegnago adotou duas folgas semanais em suas 77 lojas. Segundo a empresa, a procura por vagas aumentou 120% após a implantação do modelo, iniciada em 2025.
O Supernosso também ampliou gradualmente a iniciativa. Em junho, 13 novas unidades passaram a operar no sistema, após testes iniciais em três lojas mineiras. O Extrabom, por sua vez, começou a mudança em três unidades capixabas.
Apesar dos avanços, existe uma diferença importante: algumas empresas mantiveram as 44 horas semanais, distribuídas em cinco dias. Assim, os funcionários trabalham mais horas por dia para garantir duas folgas.
Nova legislação define prazos
O Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro de 2026, a Emenda Constitucional nº 141, que estabelece duas folgas semanais remuneradas e reduz progressivamente a jornada máxima. A primeira etapa começa em dezembro, após 60 dias da promulgação.
Inicialmente, o limite semanal cairá de 44 para 42 horas. Depois, 14 meses após a publicação, chegará a 40 horas, sem redução salarial.
Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 14,7 milhões de empregados formais cumpriam a escala 6×1 em dezembro de 2025. Portanto, a mudança exigirá ajustes em diferentes setores.
Para manter o atendimento, empresas poderão reorganizar equipes e horários de funcionamento. A transição também exigirá planejamento financeiro, contratação e negociação coletiva, quando aplicável.
Dessa forma, a experiência das redes antecipadas poderá orientar outras companhias durante a adaptação às novas exigências legais.
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