Casal planta pé de manga para fazer sombra na garagem e, cinco anos depois, descobre que as raízes da árvore estão danificando o piso e o muro da casa
Mangueira foi plantada perto da construção para reduzir o calor; especialistas orientam considerar o porte adulto da árvore e investigar a origem das rachaduras antes de qualquer intervenção

A sombra na garagem era um dos desejos da professora Mariana Souza, de 35 anos, e do eletricista Roberto Costa, de 38, quando compraram a primeira casa. Para amenizar o calor das tardes, uma muda de mangueira foi plantada em um canto do recuo do imóvel.
Nos primeiros anos, o resultado agradou. A árvore cresceu, ganhou uma copa cheia e passou a proteger do sol o espaço onde o carro era estacionado. A possibilidade de colher mangas também fazia parte dos planos.
Cinco anos depois do plantio, porém, o piso de cimento da garagem começou a apresentar elevações e rachaduras. No muro lateral, que separava a propriedade da casa vizinha, surgiu uma trinca diagonal que, segundo o casal, continuava aumentando.
Preocupados, Mariana e Roberto chamaram um pedreiro para examinar o local. Durante uma escavação próxima à árvore, foram encontradas raízes grossas sob o concreto. Na avaliação apresentada ao casal, elas estavam relacionadas aos danos observados no piso e na base do muro.
Espaço para o crescimento precisa ser considerado
Mangueiras podem atingir grandes dimensões, e o local de plantio deve ser escolhido considerando a árvore adulta. A orientação aparece em publicações de pesquisadores do Instituto de Ciências Agrárias e Alimentares da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.
Para variedades vigorosas ou árvores que crescerão sem podas regulares, os especialistas recomendam distâncias de aproximadamente 7,6 a 9,1 metros ou mais de construções. O espaçamento pode ser diferente para variedades menos vigorosas e plantas conduzidas com manejo para limitar o porte. Esses parâmetros precisam ser adaptados às condições de cada terreno.
A instituição também explica que as raízes da mangueira podem se estender além da projeção da copa. Assim, o espaço ocupado pelos galhos não representa, sozinho, o limite da área explorada pela árvore no solo.
No imóvel de Mariana e Roberto, a muda havia sido colocada perto das estruturas que o casal queria proteger do calor. Com o crescimento, a proximidade passou a fazer parte do problema identificado durante os reparos.
Piso levantado não confirma risco para toda a casa
Embora raízes possam levantar pavimentos, esse dano não significa automaticamente que a estrutura da residência esteja comprometida. A Royal Horticultural Society, instituição britânica de horticultura, ressalta que problemas em pisos e outros elementos sem função estrutural não comprovam danos nas partes que sustentam uma construção.
Por isso, encontrar raízes durante uma escavação não substitui a investigação da causa de uma trinca. Quando há suspeita de comprometimento do muro ou da casa, a avaliação de um engenheiro civil é importante para verificar a estabilidade e definir os reparos necessários.
Também não é recomendado cortar raízes grossas por conta própria. Segundo a instituição britânica, a retirada de raízes grandes próximas ao tronco pode matar ou desestabilizar a árvore. As alternativas de manejo dependem da localização e da extensão do conflito com a construção.
Casal precisou incluir reforma no orçamento
Segundo o relato, Mariana e Roberto decidiram retirar a mangueira e reparar a garagem e o muro. O gasto não foi informado, mas consumiu uma quantia superior à que haviam conseguido guardar durante meses.
A decisão tomada por eles não significa que o corte seja necessário em toda situação semelhante. A escolha entre preservar, manejar ou remover uma árvore exige avaliação das condições do local.
Para o casal, a perda da sombra veio acompanhada de uma despesa que não estava nos planos da casa própria. O espaço antes ocupado pela mangueira precisou entrar novamente na lista de obras do imóvel.
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