Motorista abastece só com etanol para economizar R$ 200 no posto e descobre que troca de combustível aumentou os gastos mensais com o carro em R$ 250
Menor autonomia e despesas com oficina frustraram a expectativa de Eduardo, que havia considerado apenas a diferença de preço por litro

O preço exibido na entrada do posto chamou a atenção de Eduardo Martins, de 40 anos. Representante comercial no interior de São Paulo, ele decidiu abastecer o sedã da família exclusivamente com etanol para tentar reduzir os gastos com os deslocamentos de trabalho.
A mudança foi discutida com a esposa, Simone Souza, de 37 anos, professora. Comparando o preço dos combustíveis, Eduardo estimou que conseguiria economizar R$ 200 por mês, mas deixou de considerar quanto o carro percorria com cada litro.
Nos primeiros abastecimentos, pagar menos para encher o tanque trouxe a impressão de que a escolha havia sido vantajosa. Conforme manteve as viagens habituais, porém, ele percebeu que precisava retornar ao posto com mais frequência.
Preço menor não garantiu economia
O etanol tem menor conteúdo energético por litro que a gasolina. Por isso, em um veículo flex, normalmente é necessário consumir um volume maior para percorrer a mesma distância.
A vantagem financeira depende da relação entre o preço e o rendimento de cada combustível naquele carro. Comparar apenas o valor necessário para completar o tanque pode esconder essa diferença.
O cálculo do custo por quilômetro é feito dividindo o preço do litro pelo consumo em quilômetros por litro. O combustível com o menor resultado representa o menor gasto para percorrer a mesma distância, nas condições comparadas.
O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro, disponibiliza referências de consumo na cidade e na estrada com diferentes combustíveis. Esses dados ajudam na comparação, embora o rendimento observado pelo motorista também dependa das condições de uso.
Oficina entrou no balanço daquele mês
Durante o período, Eduardo também percebeu dificuldades na partida em manhãs mais frias e procurou uma oficina. Foram realizados serviços no sistema de injeção e a substituição das velas.
Essas despesas, entretanto, não comprovam que o etanol tenha danificado os componentes. Segundo a fabricante de velas NGK, temperaturas baixas podem dificultar a partida de veículos abastecidos com etanol, e o estado dos sistemas de ignição e de partida a frio influencia o funcionamento.
Ao reunir os comprovantes, Eduardo calculou que combustível e manutenção haviam custado R$ 250 a mais do que o gasto habitual naquele mês. Assim, a diferença em relação à economia esperada de R$ 200 foi de R$ 450.
Como o balanço inclui serviços de oficina, ele não permite atribuir todo o acréscimo ao consumo do etanol nem projetar a mesma despesa para os meses seguintes.
Para Eduardo e Simone, a primeira comparação pelo preço da bomba ficou incompleta. Os recibos de abastecimento, a distância percorrida e a conta da oficina mostraram que pagar menos por litro não havia produzido a redução esperada no orçamento daquele mês.
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