Goiás tinha fama de não ter favela, mas elas crescem mais rápido que as cidades
Levantamento compara 2024 e 2025 e mostra onde as comunidades mais avançaram no estado, incluindo uma que dobrou de tamanho em 12 meses

Durante décadas, Goiás se acostumou à ideia de que não tinha favela. Primeiro, a crença caiu em 2022, com o Censo. Agora, ela ganha um dado novo: as favelas em Goiás crescem mais rápido que as próprias cidades. É o que mostra um levantamento do MapBiomas divulgado na última quarta-feira (4), que compara 2024 e 2025.
No intervalo de um ano, a área construída dentro dos espaços classificados como favelas e comunidades urbanas passou de 2.499 hectares (ha) para 2.534 ha. Ou seja, um avanço de 1,40%. Enquanto isso, a mancha urbana total do estado foi de 225.968 ha para 228.106 ha, e cresceu 0,95%.
A diferença parece pequena no papel. Em números absolutos, porém, os 35 ha que as favelas ganharam equivalem a 49 campos de futebol, ou quase três vezes o Parque Flamboyant, em Goiânia.
Uma crença que durou até o Censo
Por muito tempo, a ideia predominante foi a de que Goiás não possuía favelas. O Censo de 2022, no entanto, desfez o mito ao classificar 152 áreas do estado como favelas ou comunidades urbanas, onde viviam 94,5 mil pessoas. Goiânia, sozinha, concentra 36% delas, ou seja, 55 áreas.
Para o IBGE, o termo vale para “territórios populares originados das diversas estratégias utilizadas pela população para atender, geralmente de forma autônoma e coletiva, às suas necessidades de moradia e usos associados, diante da insuficiência e inadequação das políticas públicas e investimentos privados dirigidos à garantia do direito à cidade”.
O MapBiomas, por sua vez, reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil desde 1985. Desde então, o projeto acompanha a expansão urbana, a perda de vegetação e a exposição a riscos ambientais.
O que o mapa enxerga, e o que não enxerga
Os 2.534 ha medidos pelo MapBiomas correspondem apenas ao que está coberto por edificações, ruas e superfícies impermeabilizadas. Quando se contam também os terrenos vazios e a vegetação dentro dos perímetros, a área total das favelas em Goiás chega a 3.211 ha.
Júlio Pedrassoli, coordenador do tema urbano do MapBiomas, lembra que o levantamento olha apenas a mancha horizontal. Ou seja, o que cresce para cima não aparece no mapa, e o número de moradores fica fora da conta. Mesmo assim, somadas, as favelas ocupam 1,1% da área urbanizada do estado.
Onde ficam as maiores favelas em Goiás
A maior favela classificada pelo MapBiomas é o Jardim Umuarama, em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal (DF). A área urbanizada dele foi de 143,25 ha em 2024 para 146,32 ha em 2025.
Em segundo lugar aparece o Mansões Lago do Descoberto, em Águas Lindas de Goiás, também no Entorno, que passou de 119,72 ha para 124,58 ha.
Já a terceira posição é de Anápolis. O Jardim Esperança foi de 107,38 ha para 109,02 ha e é, entre as três maiores, a única fora do Entorno. Depois vêm o Condomínio Embaixador, em Águas Lindas; o Eldorado Mansões Campestre, em Santo Antônio do Descoberto; e o Loteamento Daiana, em Silvânia.
As favelas em Goiás que mais cresceram em um ano
Quando a régua é o avanço entre 2024 e 2025, o Mansões Lago do Descoberto lidera, com 4,86 ha a mais. Logo atrás vem a Ocupação Marília Mendonça, em Aparecida de Goiânia, que saiu de 4,72 ha para 9,38 ha. Em doze meses, portanto, dobrou de tamanho.
Há ainda outra forma de medir: a fatia da cidade que as favelas ocupam. Nesse caso, Águas Lindas de Goiás lidera, com 7,2% da área urbana. Depois vêm Santo Antônio do Descoberto (5,6%), Novo Gama (5,6%), Planaltina (4,4%) e Luziânia (2,3%), todos no Entorno do DF.
*Colaborou Danilo Boaventura
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