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Sociedade refém do medo

Nos dias de hoje presenciamos o aumento da criminalidade, os indicadores de violência aumentando ainda mais. Roubos, assassinatos, sequestros, latrocínios e crimes passionais lideram o ranking de crimes cometidos contra a sociedade.

Somos reféns do medo, pois na grande maioria a população em geral sofre com a sensação de insegurança e vulnerabilidade. Sentimo-nos desprotegidos, voltamos a ter aquela sensação de medo que tínhamos enquanto criança, aquele medo recorrente, banal. Tornamos-nos reféns de nossos medos, pois nos resguardamos ao máximo para que não fiquemos em situação de risco. Presos, ficamos dentro de nossas casas e mesmo assim o sentimento de segurança não é pleno.

Com tanta violência acaba que surge em nós a dúvida: será que ainda existe o amor pelo próximo? Porque a vida se tornou tão banal? Mata-se por tão pouco. Vidas se ceifam por R$ 0,20 ou R$ 5 reais.

Caro leitor, a vida está sim banalizada.

Para aqueles que estão no crime a ânsia de cometer o delito suprime o direito da vida, e então a vida do individuo sucumbe por qualquer que seja o motivo. Vivemos em um tempo onde a vida parece não ter valor. Aquela retórica de que o que é do outro não me pertence já não faz mais sentido.

Em meio a essa consternação perguntamo-nos se a sociedade ainda tem jeito. Se poderemos algum dia dormir com nossas janelas abertas sem que sejamos surpreendidos, se poderemos sentar na pracinha e jogar conversa fora com os amigos noite à fora sem que corramos algum risco.

Isso é sim possível.

Em muitas cidades do interior essas mazelas da cidade grande e moderna ainda não chegaram – ainda. E o melhor: nós podemos mudar esse quadro porque está em nossas mãos o poder de mudar a sociedade.

Com atitudes assertivas podemos mudar a história e virar esse jogo, trazer essa paz de outrora para os dias atuais. Somente com a construção de uma sociedade desenvolvida os índices de criminalidade irão diminuir. Precisamos cobrar investimentos em educação para que o caráter do jovem seja formado na escola e não nas ruas.

Precisamos cobrar políticas públicas para que segurança, sobretudo contra o tráfico, que é a porta de entrada para os jovens entrarem na vida do crime. Precisamos cobrar do governo uma maior vigilância nas nossas fronteiras para inibir a entrada de drogas e armas.

Como já disse, a sociedade tem sim solução. O caminho a ser percorrido e árduo e talvez a nossa geração não colham os frutos. Precisamos investir hoje para que as gerações futuras vivam com mais segurança e menos vulneráveis. Precisamos cobrar dos governantes atitudes enérgicas contra a criminalidade para que a população viva com o mínimo de segurança. Sobretudo, precisamos resgatar o valor pela vida, aprender a valorizar a vida do outro. Precisamos entender que as nossas conquistas tem que ser fruto do nosso trabalho e não de outra forma mais fácil. Somente assim começaremos a construir uma sociedade melhor e poderemos deixar de ser reféns de nossos próprios medos.

Alair Martins é farmacêutico . Escreve sobre preferencialmente sobre saúde e dá pitacos em política e sociedade.

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