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União: o maior desafio na Política

Um processo político é feito mediante muito diálogo e negociação. Para além das opressões do capital, das ofertas indecorosas, da compra de bases políticas e partidárias, sejam nos bairros, sejam nas cidades, a Política é feita em uma dinâmica que pode ser resumida em exigir e conceder constantemente. Esta Arte da negociação é o que constrói candidaturas, projetos de governo e planeja uma gestão em qualquer esfera.

No entanto, dentro desta edificação político-ideológica é fato que após as negociações, haverá inexoravelmente um grupo vencedor. Aquele que vai conseguir impor ou convencer a sua intenção mais importante. Entre concessões e demandas, em todo processo interno político há um grupo vencedor e um ou mais que saem destas negociações derrotados. Ou, pelo menos, com a sensação de fracasso na colocação de seus pleitos.

Um dos desafios mais proeminentes neste cenário recorrente dentro de todas as legendas, seja de Direita ou de Esquerda, é manter a união partidária. Numa batalha política há, sim, vencedores e vencidos, mas a diferença de um embate de campo é que ao final deste enfretamento todos devem caminhar pela mesma direção acordada. Em tese é isto o que deve acontecer, mas, na prática, dificilmente as diversas correntes ideológicas verificadas dentro dos partidos possuem a disciplina e a coerência política de tornar-se uma sustentadora e apoiadora das ideias de quem a derrotou. A humildade do vencido é o principal desafio para promover a união política.

E mais do que construir politicamente um projeto, a tal União é fundamental para o sucesso num processo eleitoral democrático. Simplesmente não se vence uma eleição com partidos divididos, com correntes internas lutando contra, sabotando o projeto principal. Quando se analisa as razões das derrotas eleitorais é evidente perceber de que em todos os casos há divisão e conspiração em curso dentro dos partidos e dos grupos políticos.

Em Anápolis, há casos recorrentes e emblemáticos. Em 2004, por exemplo, uma estranha parceria foi estabelecida entre PSDB e PT. Dois gigantes partidários que, unidos, não tinham como empreender outro resultado se não o sucesso. Na realidade, não foi o que aconteceu. Com Rubens Otoni como candidato a prefeito e José Vieira na vice, a chapa que envolve o maior poderio político nacional foi derrotada pelo PSB de Pedro Sahium. Analisadas as razões, é possível dizer que PT e PSDB perderam para si mesmos. Internamente nas duas legendas havia grupos indignados com a aliança e conspirando para minar o sucesso desta união. Deu no que deu.

O PSDB de Anápolis possui um profundo histórico de desunião que acaba por tornar-se fatal em suas eleições municipais na cidade. E os tucanos caminham novamente para repetir a fórmula do insucesso: criar projetos que se tornam revoltosos e insatisfeitos com a escolha de outro grupo para tocar a eleição. Há pelo menos quatro correntes dentro do PSDB e, possivelmente, as três preteridas irão conspirar ou no mínimo cruzar os braços na hora de trabalhar na eleição.

Com esta disputa interna tão canibalesca, o PSDB novamente sai em desvantagem e tem tudo para repetir a trajetória e o desempenho das eleições anteriores: oferece sombra, mas não leva perigo aos adversários. Como desdobramento prático, fica distante da população em seu discurso e não consegue promover a penetração de sua mensagem.

É fato que Marconi Perillo é um líder com imensa capacidade de união do seu partido e de outras legendas em torno de si. Os resultados eleitorais dele estão aí para mostrar isto. Mas Perillo jamais conseguiu alçar um voo sólido e pleno em uma eleição municipal na cidade de Anápolis. O único prefeito que o PSDB teve em Anápolis foi durante o meu governo, quando me filiei àquela legenda para, tempos depois, me retirar do partido.

Já PT, ainda que sofrendo os desgastes do cenário nacional e do processo de desconstrução do partido, ainda marcha unificado e mantem uma base política que envolve outras legendas. Desta forma, constrói o processo eleitoral ideal para renovar o mandato do prefeito João Gomes e completar 12 anos de gestão na cidade. O PT é um exemplo de disciplina por conseguir quase sempre manter o partido internamente unido mesmo depois de embates pela disputa de espaço. Se nas reuniões, a legenda se torna uma arena de gladiadores ideológicos, para fora, ou seja, para a relação política e eleitoral, todos os membros tornam-se soldados e marcham unidos.

Isto facilita em muito a busca por mais partidos para ocupar sua base. Mesmo assim, com este cenário antagônico, será natural que todos os demais partidos gravitem em torno destes dois projetos. Se não tem união, o PSDB possui a influência decisiva do Governo do Estado e de Marconi Perillo, enquanto que o PT possui o alinhamento popular, Antônio Gomide e, ainda, a máquina municipal na mão.

Ernani de Paula é empresário e ex-prefeito de Anápolis

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