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Spiderman: Homecoming – O filme que você precisa ver!

O Homem-Aranha é um personagem icônico. Criado em 1962 por Stan Lee, virou sucesso imediato, pois foi o primeiro herói que, apesar de adolescente, não se limitava a ser o ajudante de um herói maior. Peter Parker é o clássico nerd, isolado na escola e muito estudioso. A solidão somada aos desafios da adolescência levaram milhares de jovens a se identificarem com o personagem e torná-lo um sucesso recorrente, tanto que em agosto o personagem completa 55 anos, com o fôlego de um estudante de colegial.

O personagem carismático e dono de um senso de humor inconfundível, foi um dos primeiros a mostrar a cara no cinema, nessa nova leva de filmes de heróis, que começou em 1998 com Blade, também da Marvel. Foram 5 filmes solo, antes de o herói reaparecer nas telas da Marvel, como um ajudante do Homem de Ferro, em “Capitão América: Guerra Civil“. O Sucesso levou a Marvel a querer realizar mais um filme solo do herói, em parceria com a Sony, que possui os direitos de adaptação para o cinema do personagem.

Sim, o personagem da Marvel está sob os cuidados da Sony, quando o assunto é cinema. Culpa de uma quase falência pela qual a “Casa das ideias” passou na década de 90, levando a editora a vender os direitos de adaptação cinematográfica de seus principais heróis. X-men e Quarteto Fantástico foram para a Fox, Homem Aranha e Venon para a Sony e Namor para a Universal (Eu sei, eu sei! Quem se importa com Namor, não é mesmo?).

Em 2000 a Fox lançou o primeiro filme dos mutantes e mostrou que heróis dão dinheiro. Assim, em 2002, estreava o primeiro filme do amigo da vizinhança. Foi sucesso imediato, gerando duas outras continuações em 2004 e 2007. Como o personagem é extremamente carismático e querido, o estúdio não quis deixar Peter descansar, e recomeçou a franquia em 2012 com uma sequência já em 2014. Ao todo foram mais de 4 bilhões de dólares em bilheteria juntando os cinco filmes. Apesar dos dois últimos terem sido mais fracos.

Com o renascimento da Marvel no cinema, inciado com Homem de Ferro em 2008 (Hulk não conta, apesar de o segundo acontecer no mesmo universo), era natural que a editora quisesse trazer de volta seus personagens icônicos para debaixo de suas asas. Um acordo milionário entre Sony e a Casa das Ideias, permitiu inserir o cabeça de teia em seu universo compartilhado, vivido por um novo ator. Em troca da participação do personagem em seus filmes, a Marvel deixaria a Sony usar alguns de seus heróis nos novos filmes solo do Homem-Aranha. Todo mundo ganha dinheiro, e o público ganha mais histórias do Peter Parker.

O grande acerto do novo filme está em justamente honrar a história do personagem. São 5 filmes em 15 anos. Todos já sabem a origem dele. Ninguém aguenta ver isso mais. Então vamos direto para a história. E que história. O filme se passa no mesmo universo dos Vingadores. Peter é um adolescente que quer fazer a coisa certa, e ainda tem que estudar e não preocupar sua tia. No meio disso tudo, uma invasão alienígena mudou Nova York, e não é fácil ser herói num mundo com monstros verdes e deuses nórdicos. Peter se limita a proteger a vizinhança no Queens, onde ele mora com a tia May.

O grande ponto do filme é mostrar que Peter acha que já está pronto para ser um Vingador, afinal ele tem um super traje, e ajudou o Homem de Ferro em Guerra Civil. Mas ele ainda é um adolescente, precisa aprender muita coisa e o filme está inserido nesse aprendizado. Não que isso seja ruim. Geralmente filmes de heróis correm com essa parte do aprendizado. Aqui temos os melhores momentos de Peter justamente aprendendo as responsabilidades que vem com os grandes poderes (desculpe, eu precisava usar isso!). Nessas descobertas temos ótimas cenas mostrando os limites do herói e fazendo referência a clássicos, como Star Wars e Curtindo a Vida adoidado, deixam o filme com um gostinho de nostalgia. Já conhecemos o que acontece ali, e mesmo assim é incrível.

Os fãs mais xiitas irão xilicar por algumas mudanças feitas, principalmente nos nomes de certos personagens. Porém nada disso estraga a experiência com o filme. Pelo contrário, o filme é tão divertido que você se apegará fácil aos novos personagens e não ligará para detalhes como estes. Por exemplo, Gank Lee, melhor amigo do Homem-Aranha no universo Ultimate, está aqui com o nome de Ned. Nos quadrinhos Ned é um sujeito loiro e que conhece Peter no Clarim Diário. Obvio que isso não atrapalha a história. Personagens estão acima de seus nomes.

Temos outros casos, como a Liz Allen, personagem pela qual Peter nutre um amor platônico, deixou de ser loira, e agora é latina. Até o principal Bullying de Peter, deixou de ser branco, loiro e “burro”, para ser inteligente e com cara de indiano. Na verdade, filho de dois guatemaltecos. Até Mary Jane, a MJ, mudou o nome para Michelle. É talvez um dos filmes mais “inclusivos” da Marvel. Mas lembre-se, o foco é Peter Parker e ele está ótimo, graças ao trabalho de Tom Holland.

Partindo para os personagens conhecidos do cinema, temos Happy Hogan, o guarda costas de Tony Stark, que está no filme como o contato entre Peter e Tony Stark. Ele é quem acaba fazendo a ponte entre o início da nova era da Marvel no cinema, e o filme atual. As participações dele, são hilárias e dão a certeza de que a Marvel trata com carinho todos os seus personagens, mesmo os coadjuvantes.

Chegamos no vilão, e devo dizer que Michael Keaton, que dá vida ao Abutre, consegue entregar um personagem que foge do caricato e chega a ser cativante. É possível até entender as motivações dele. O Abutre não quer dominar o mundo nem destruir os Vingadores. Heróis acabaram com seus negócios, ele precisa sobreviver. Ele tem famílias sob sua responsabilidade. Ele está bem diferente do Abutre dos quadrinhos, e isso é um baita de um elogio. Keaton acaba sendo um dos melhores vilões do universo cinematográfico da Marvel até agora.

No fim, temos um filme divertido que cumpre bem sua função primordial, que é entreter. Ele não vai mudar o mundo, ou ganhar prêmios em festivais cult de cinema. Não há essa pretensão. Homem-Aranha é um dos personagens preferidos dos nerds, e sempre vai ter um espaço reservado nos nossos corações. Por isso, pare de ler esse artigo e vá imediatamente ao cinema! Você não vai se arrepender!

PS: Apesar de ser da Sony, o filme segue a cartilha Marvel de cinema e possui duas cenas pós créditos. Vale a pena esperar as últimas letrinhas subirem para ver a segunda cena.

 

Bruno Rodrigues Ferreira, psicólogo, Jornalista e amante de cinema e tecnologia. Um Nerd raiz!

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