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HEG se nega a comentar morte de paciente que demorou a conseguir transferência para hospital público

Família recebeu cobrança alta e sente que perdeu alguém que amava por negligência

Rafaella Soares -

Atualizado às 15h com mais informações

Edson Justino Magalhães, de 48 anos, era um homem amado que há anos lutava contra doenças crônicas e, três vezes por semana, se deslocava ao hospital para fazer hemodiálise.

Meses atrás também foi diagnosticado com anemia e pneumonia. Fazia todo o tratamento necessário para ter uma boa qualidade de vida.

Para a família, o grande desespero começou no início da madrugada desta terça-feira (14), quando Edson começou a passar mal. Segundo a filha, Dayanne Rosa, nenhuma vaga foi encontrada para atendê-lo na rede pública.

“Levamos ele para o Hospital Evangélico Goiano, disseram que não atendia pelo SUS e que a consulta era R$200. Pagamos a consulta, o médico internou ele e entubou. Não nos informaram o valor de nada. Quando deu 4h, vieram com uma conta de R$ 10 mil para pagamento, porém, não temos condição nenhuma de pagar”, disse ao Portal 6.

Dayanne relatou que ainda tentou uma transferência para rede pública, mas a vaga só foi liberada horas depois. Edson não estava estável e faleceu.

Após a confirmação da morte, a reportagem conversou com Thais Dias, sobrinha da vítima, que relatou que o tio não chegou a passar por nenhum exame antes da internação porque teria sido tratado como caso suspeito de Covid-19.

“Como você coloca o diagnóstico em um paciente com doenças crônicas só de olhar? Quantas outras doenças causam falta de ar?”, questionou.

Segundo Thais, o resultado do teste para a doença foi negativo e o HEG ainda estaria se recusando a receber qualquer valor abaixo do que já foi cobrado.

A família, que agora está providenciando o velório, sente que perdeu alguém que amava por negligência.

Silêncio

O Portal 6 procurou o HEG para saber se a família não foi avisada dos custos do tratamento, se foram oferecidas opções de pagamento e se ajudou na tentativa de transferência para a rede pública.

Mesmo com a forte repercussão que o caso tem ganhado nas redes sociais e na comunidade em geral, a unidade, como de praxe, não retornou com nenhum pronunciamento.

Com a palavra a Semusa

“A porta de entrada para o atendimento a pacientes com Covid-19 é uma das Unidades de Referência em Coronavírus (URCs), criadas desde o início da pandemia para lidar exclusivamente com casos da doença. O Hospital Municipal de Anápolis só recebe pacientes transferidos de outras unidades para internação. Todo paciente que procura o Hospital é orientado a procurar a Unidade de Saúde mais próxima ou uma Unidade de Pronto-Atendimento.

A solicitação de transferência do paciente para leito de UTI da rede pública municipal foi feita pelo Hospital Evangélico no início da tarde de terça-feira (14) e a vaga foi liberada às 15h. A equipe do Samu tentou realizar a transferência, mas o quadro crítico do paciente impediu o procedimento. Houve nova tentativa após estabilização do paciente, mas ele não resistiu.”

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