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Variante delta da Covid já responde por 45% das amostras analisadas no Rio

Na semana passada, o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) anunciou uma série de flexibilizações nas restrições a partir de 2 de setembro, incluindo a liberação de público em estádios e boates

Folhapress Folhapress -
(Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

A variante delta do coronavírus avança no Rio de Janeiro e já corresponde a 45% das amostras analisadas na capital e a 26% no estado. Os percentuais foram divulgados em um novo boletim da Secretaria Estadual de Saúde, que alerta para uma disseminação da cepa desde junho.

O monitoramento genômico que é feito periodicamente pelo governo concluiu que a B.1.617.2 está em “tendência de aumento e conversão para se tornar a mais frequente no estado, substituindo a variante gama (P.1)”, que surgiu no fim do ano passado no Amazonas.

Os boletins dos últimos meses mostram o crescimento: a cepa identificada primeiro na Índia passou de 0,6% das amostras coletadas entre o início de abril e meados de junho para 17% nos sequenciamentos feitos ao longo de junho. Na última avaliação, se expandiu para 26% dos 364 genomas colhidos entre 22 de junho e 19 de julho.

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O documento divulgado agora reforça que “a adoção de novas medidas restritivas pelo estado e municípios deve considerar a distribuição espaço-temporal das linhagens e a presença de mutações associadas ao escape do sistema imune”.

Na semana passada, o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) anunciou uma série de flexibilizações nas restrições a partir de 2 de setembro, incluindo a liberação de público em estádios e boates e a redução do uso de máscaras em novembro, caso a vacinação continue avançando e não haja um novo surto.

Na capital fluminense, 32 das cerca de 70 amostras analisadas pelo programa de vigilância genômica eram da delta. Para ter uma ideia, na coleta que começou em abril, não havia sido identificada nenhuma cepa desse tipo na cidade, mas apenas na região metropolitana.

Agora, a variante delta está em ao menos 38 municípios das nove regiões do estado. O estudo mostrou ainda a presença de 0,8% da alfa (B.1.1.7), identificada primeiro no Reino Unido, e de outras seis que não são consideradas de preocupação pela Organização Mundial da Saúde.

O sequenciamento ocorre por amostragem, e um dos critérios para escolher essas amostras é a maior carga viral, ou seja, predominam as de pacientes mais graves. São cerca de 800 genomas avaliados por mês no estado, somando 3.555 desde o início do ano. Se considerados todos eles, 86% eram da gama e 5% da delta.

Tanto a prefeitura quanto o governo estadual do RJ têm usado o avanço da nova variante para exercer pressão no Ministério da Saúde pelo envio de imunizantes.

“Precisamos da distribuição das vacinas em estoque o mais rápido possível! Estamos em pleno inverno com nova variante circulando! Nada pode ser mais urgente que esta distribuição!”, escreveu nas redes sociais o secretário municipal de Saúde da capital, Daniel Soranz, marcando o perfil do ministério.

O governador Cláudio Castro (PL) também declarou à imprensa nesta terça (03): “Agora que o Rio é um dos estados mais atingidos pela delta, a gente também entende que temos que receber um carinho melhor e mais doses da vacinação, porque senão você vai ter o Rio disseminando muito mais uma variante perigosíssima”, disse.

Em visita ao Rio no mesmo dia, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que não tem estoque de doses. “Essas doses chegam ao Departamento de Logística do ministério, é necessária uma autorização da Anvisa e uma liberação do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde [INCQS]. Assim que libera, a gente dispensa para os estados e municípios”, afirmou.

Em nota, o governo reforçou que “independentemente da cepa do vírus ou linhagem, as medidas de prevenção […] seguem as mesmas, como uso de máscaras e álcool em gel, lavagem das mãos e distanciamento social. A quarentena de 14 dias é fundamental para qualquer pessoa com sintomas e/ou diagnóstico da doença, qualquer que seja a variante”.

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