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As perdas ocultas da pandemia

Márcio Corrêa -
As perdas ocultas da pandemia
(Foto: Reprodução/Diário de Pernambuco)

Até o ano passado nos perguntávamos o tempo todo como seria o mundo após o fim da pandemia da Covid-19. Hoje já compreendemos que ainda vamos ter que conviver com o vírus durante algum tempo, mas certamente mais protegidos dele graças às vacinas. Mas nossa sociedade precisa aprender rápido a lidar com uma outra situação extremamente importante: o impacto das perdas humanas nas famílias, especialmente as mais vulneráveis.

O estrago da pandemia foi – e continua sendo – muito grande entre nós. Já são 594 mil brasileiros mortos pela Covid-19. E na esteira dessas perdas, milhões de crianças, jovens e idosos foram afetados diretamente, tanto na perda da condição de manter o próprio sustento, quanto no abalo emocional da perda inesperada de uma pessoa próxima, o que às vezes pode até incapacitar uma pessoa do ponto de vista social e profissional.

O Brasil tinha até o final de julho cerca de 130 mil menores de idade que perderam o pai, ou a mãe, ou os dois para a Covid-19. É um número grande demais. Mas o olhar sob os órfãos da pandemia tem que ser mais amplo. Muitos dos que morreram eram adultos que proviam o sustento não só dos filhos, mas também dos próprios pais, idosos; ou eram avós que cuidavam dos netos; ou a tia que ficava o dia todo com os sobrinhos para a mãe poder trabalhar, dentre diversas outras particularidades relativamente comuns no complexo arranjo familiar brasileiro.

Se quisermos ter um país socialmente justo, equilibrado e próspero, todos nós, juntamente com poder público, iniciativa privada e terceiro setor, teremos que oferecer condições a essas pessoas para superarem os traumas e as dificuldades causados pela pandemia. Especialmente as crianças órfãs. Uma família desestruturada de forma tão abrupta, no meio de uma crise econômica sem precedentes, é um caminho aberto para inviabilizar o futuro de um jovem.

Temos que começar desde já a elaborar projetos específicos na área da saúde, educação, qualificação profissional e assistência social para estas pessoas. Começando na base educacional até nos incentivos à formação superior e inserção no mercado de trabalho. Será preciso oferecer por um longo período suporte econômico para os mais desassistidos. O poder público também vai precisar estruturar uma rede ampla de amparo psicológico para ajudar as pessoas mais fragilizadas do ponto de vista emocional a lidarem com as perdas que sofreram.

Precisamos mapear essas famílias e ajudá-las a seguir em frente com dignidade e qualidade de vida. E não podemos perder tempo, porque esse não é um desafio do futuro, mas do momento atual.

Márcio Corrêa é empresário e odontólogo. Preside o Diretório Municipal do MDB em AnápolisEscreve todas as segundas-feiras. Siga-o no Instagram.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal 6.

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