Pedagogia da pergunta
Utopias e distopias também precisam ser analisadas de forma crítica. Não podemos enxergar o mundo apenas na lógica do “contra” ou “a favor”

Distopia é uma história pessimista sobre o futuro do mundo. Os filmes: “Mad Max”, “Blade Runner” e “Black Mirror” são exemplos de distopia. Neles vemos um mundo sombrio e tenebroso, com pessoas que se movem como espectros, enquanto pragas e doenças se disseminam por todos os lados. No gênero literário, surgiram distopias em obras como, “1984” de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. Em ambas, o Estado controla e oprime a população. A distopia é uma história imaginária que causa medo e repulsa.
O medo das distopias não é infundado, chegamos perto de um mundo distópico na II Guerra Mundial – se os nazistas tivessem vencido – e na “Crise dos Mísseis” em 1962, que quase detonou uma guerra atômica entre EUA e a URSS. Existe uma distopia que te faz medo?
O contrário da distopia é a utopia: uma projeção imaginária positiva, construída na igualdade e na comunhão. O céu bíblico-cristão e o Jardim do Éden são exemplos de utopias. A utopia geralmente se contrapõe à realidade histórica que vivemos. Se a nossa realidade é marcada por injustiça, guerra e desigualdade, as utopias devem projetar justiça, paz e igualdade. Utopia é um desejo de felicidade para o futuro. Qual é a sua utopia?
Ter utopias ajuda a viver e a enxergar novos horizontes. Mas elas não podem ser apenas românticas, no sentido lírico, teórico, idealista. As utopias devem nos mobilizar; precisam ser impulsionadas pelo esforço pessoal e coletivo. Utopias demandam compromisso e devem ser inclusivas, como a utopia do padre Júlio Lancelotti. Ele celebra missas nas ruas de São Paulo para incluir os marginalizados e oferecer a esperança salvadora; distribui alimentos; ajuda no cuidado à saúde da população de baixa renda e de pessoas em situação de rua. Ele sonhou e pôs “a mão na massa” para realizar o sonho que teve. Você também se esforça para realizar a sua utopia?
A utopia dele é dar pão a quem precisava – e o pão aqui é símbolo de alimento, água, moradia, saúde, paz e atenção. Utopias não podem ser restritivas nem segregacionistas. Elas devem pensar no coletivo, de maneira cada vez mais inclusiva.
“Quando é que nós trabalhadores, iremos fazer uma revolução no Brasil em relação à escala 6×1? Eu, que não tenho filho nem nada, que sou sozinho… não dá para fazer as coisas. Imagina quem tem filho, quem tem marido, casa etc. (sic)”, desabafou o balconista de farmácia, Rick Azevedo, em um vídeo do Tik Tok, em setembro de 2023. O “sonho” dele viralizou nas redes sociais. Esse foi o início de uma mudança que ganhou força nesta última semana de maio de 2026, quando a Câmara Federal aprovou um projeto que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Um sonho de não precisar trabalhar até morrer; simples assim. Sonhos nos movem. “A imaginação utópica e distópica permite que as pessoas se abram a possibilidade de um mundo diferente”, afirmaram especialistas da história da humanidade, Dra. Heloísa Capel e Dr. Geraldo Witeze Jr. É preciso sonhar juntos. A sua utopia inclui outras pessoas? Quem são elas?
Utopias e distopias também precisam ser analisadas de forma crítica. Não podemos enxergar o mundo apenas na lógica do “contra” ou “a favor”; não dá para agir como torcida cega. Digo isso porque o padre Júlio Lancelotti, mesmo realizando um trabalho correto e louvável para um cristão, foi acusado de ser “um padre esquerdista” – e esse tipo de enquadramento funciona como um “apagador” implacável, impiedoso e insensível, do que há de bom e justo. Qual deve ser a utopia de um cristão?
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