Setor produtivo de Anápolis está correto em cobrar maior consideração

Márcio Corrêa -
Vista área de Anápolis. (Foto: Divulgação)

Anápolis já teve mais força política em Goiás. Esta leitura, que é praticamente uma unanimidade na cidade há alguns anos, voltou como um lamento entre políticos, lideranças classistas e empresários da cidade nesta segunda-feira (25). Anápolis já contou com um governador que fez a carreira política por aqui, senador, vários deputados e ocupava postos de destaque em qualquer governo do Estado, ajudando a decidir os rumos do desenvolvimento de Goiás. Posição mais do que natural, dada a relevância do município para a economia goiana. Hoje não é mais assim e nossa cidade vem perdendo espaço na mesa de decisões.

O que gerou insatisfação entre anapolinos nesta segunda-feira foi a nomeação do novo secretário estadual de Indústria e Comércio, Joel Sant’Anna Braga, indicado pelo PP com o respaldo do prefeito Roberto Naves, que integra o mesmo partido. A reclamação, certamente, se deu menos por uma questão de currículo do novo secretário e mais pela oportunidade desperdiçada da cidade recuperar o protagonismo numa área do governo que é seu grande diferencial. Joel, que é irmão do presidente estadual do PP, Alexandre Baldy, não tem vínculos fortes com o município.

Nos últimos anos, Anápolis ocupou diversos postos importantes nos governos estaduais ligados ao setor produtivo, especialmente a Secretaria de Indústria e Comércio. Natural então que houvesse uma expectativa do setor produtivo da cidade sobre quem seria o nome do PP. Mas não se trata somente de uma questão de cargos políticos ou do velho bairrismo anapolino, mas sim de poder contar com um gestor que conheça profundamente os entraves ao nosso desenvolvimento que precisam ser removidos e tenha um compromisso pessoal com a cidade.

Embora esteja recebendo novos investimentos, o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), onde se concentram nossas indústrias, ficou anos abandonado pelos governos anteriores e perdeu as condições estruturais para atrair novas indústrias de grande porte. Falta água, falta energia e só agora, nesta gestão, está sendo equacionado o problema da falta de espaço. Mas é consenso entre os empresários que é preciso resolver rapidamente as demais demandas de infraestrutura para a nova área se tornar realmente atrativa para investimentos de grande porte.

O Aeroporto de Cargas virou um elefante branco, cujo funcionamento poderia viabilizar um centro de distribuição internacional dos Correios, como já foi dito por dirigentes da estatal, além de fortalecer a posição do município como pólo logístico nacional. Sabemos que a gestão passada deixou a obra inacabada, mesmo após gastar nela mais de R$ 230 milhões, e repleta de problemas estruturais e técnicos, mas esperamos que estes percalços sejam contornados logo.

Com o segundo maior PIB de Goiás (R$ 14,2 bilhões, segundo os dados mais recentes do IBGE), e um enorme parque industrial, Anápolis merece uma atenção diferenciada do Poder Público, pois seu crescimento influencia diretamente no avanço de dezenas de outras cidade goianas. A nossa turma é boa de serviço e sabe fazer a roda da economia girar. Precisamos apenas das condições adequadas para isto.

Márcio Corrêa é empresário e odontólogo. Preside o Diretório Municipal do MDB em AnápolisEscreve todas as segundas-feiras. Siga-o no Instagram.

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