Número de eleitores de 16 e 17 anos em Anápolis cai 60% em dois anos

Cientista político alerta que desinteresse pode prejudicar construção de políticas públicas para os jovens

Lucas Tavares -
Título de eleitor pode ser tirado por adolescente a partir do site do TSE. (Foto: Marcelo Casal Jr. Agência Brasil)

O número de jovens eleitores em Anápolis despencou 60% neste ano em relação a 2020. Dados da Seção de Cadastro Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) apontam que 2.663 anapolinos de 16 e 17 anos estão aptos a votar em outubro. Com as pessoas de 15 anos, que terão 16 até a data da eleição, são 2.767. No último pleito municipal, há dois anos, eram 6.669.

Em 2020, o número de pessoas desta faixa etária com Título de Eleitor correspondia a pouco mais da metade dos 12,4 mil jovens entre 16 e 17 anos da cidade, conforme levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB). Para o pleito deste ano, a proporção caiu para 21,4%.

A participação política deste público em Anápolis, porém, está acima da média estadual. Em Goiás, segundo o TRE-GO, apenas 16% dos jovens dessa faixa etária estão aptos a votar em outubro. Apesar disso, o estado registrou acréscimo de 11,9% no número total de eleitores de 16 e 17 anos de 2020 para 2022.

O percentual ainda baixo de jovens anapolinos que poderão votar em outubro, mas a situação já foi pior. Depois de várias campanhas de artistas, influenciadores e do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1.909 adolescentes fizeram o primeiro Título de Eleitor entre janeiro e abril deste ano, em Anápolis.

Segundo o coordenador da terceira zona eleitoral de Anápolis, Fernando Lopes, foi a partir de março que as medidas de incentivo se intensificaram no estado, com média de 3 mil solicitações por dia.

Baixa adesão preocupa

Com menos adolescentes participantes do debate político, a juventude perde legitimidade na discussão eleitoral, segundo o cientista político Guilherme Carvalho. Ele explica que, com menos jovens interessados, as políticas voltadas a esse público estarão menos presentes nas campanhas. Para além disso, ele diz que os dados apontam para a construção de uma cultura de abstenção.

“Há dois caminhos possíveis: uma contestação sem legitimidade, pois não estiveram no debate; ou que é essas pessoas se omitirem do debate público e isso se tornar uma cultura de abstenção”, destacou.

A baixa adesão da juventude, para Carvalho, é um fenômeno que começa em 2013, depois das chamadas Jornadas de Junho. “Houve movimentos de reação ao status quo, principalmente liderado por jovens, que nasceram na esteira da insatisfação com a política. Isso levou a uma série de movimentos contestatórios, com o próprio bolsonarismo”, argumentou.

Todavia, com a dificuldade do governo em implementar políticas públicas voltadas aos jovens, o nível de interesse volta a cair, segundo o professor. “A esperança do jovem não foi alcançada. Você volta ao estado pré-2013, principalmente com os mais jovens. Falta de líderes que possam projetá-los a um patamar maior. É um processo político, sociológico que vem sendo construído e reforça a crise de representação”, pontuou.

Carvalho lembra que, em Anápolis, onde Bolsonaro obteve oito em cada dez votos válidos no segundo turno de 2018, o processo fica mais claro.

“Anápolis foi uma das cidades que mais rendeu apoio ao presidente Bolsonaro, então passou por esse processo também e, efetivamente, esses jovens não sentiram a transformação”, disse.

Perfil do eleitorado anapolino

Anápolis tem 281 mil eleitores. A maior parte deles tem entre 45 e 59 anos, ultrapassando a marca de 71 mil.

Pessoas de 25 a 34 anos ficam logo atrás, com quase 60 mil aptos a votar, seguidos pelo grupo de 35 a 44 anos, que somam mais de 57 mil. Confira no gráfico abaixo.

Em 2020, 269 mil anapolinos puderam ir às urnas escolher prefeito e vereadores, mas só 194 mil compareceram no dia da votação.

Eleitores aptos para votar em Anápolis. (Arte: Portal 6)

Como tirar ou regularizar o título?

Tudo pode ser feito pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem a necessidade de se deslocar ao TRE da cidade.

Um dos primeiros passos é digitalizar a carteira de identidade, comprovante de endereço, comprovante de pagamento de débitos eleitorais e quitação de serviço militar, para homens maiores de 18 anos.

Em seguida, basta seguir o passo a passo e preencher todos os dados necessários e no final, anexar os documentos.

Além disso, o Cartório Eleitoral de Anápolis faz o alerta de que também é possível imprimir o título pela internet, sem necessidade de ir ao local retirar a segunda via.

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