Taxa de ocupação de leitos de UTI para crianças está em 95% em Anápolis

Lotação acendeu alerta na cidade depois que garotinho com pneumonia perdeu a vida enquanto aguardava uma transferência para Goiânia

Lucas Tavares -
UPA Pediátrica de Anápolis. (Foto: Danilo Boaventura/Portal 6).

A morte do pequeno Kauan Guilherme Maia, de apenas 10 meses, registrada na última semana, acendeu um alerta para a disponibilidade de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para crianças em Anápolis.

Dados enviados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) ao Portal 6, na quarta-feira (27), mostram que a cidade, que tem quase 400 mil habitantes, possui apenas 24 leitos para este grupo, sendo 10 pediátricos e 10 neonatais, na Santa Casa, e mais quatro na UPA Pediátrica.

A parte mais preocupante é que, deste número total, 95% já estão ocupados e, conforme a Semusa, os leitos da UPA Pediátrica, conhecidos por sala vermelha, são um local em que os menores ficam até conseguirem transferência para outras unidades.

Questionada pela reportagem se alguma alternativa estaria em estudo para evitar casos semelhantes aos de Kauan, a pasta garantiu que ele “foi assistido em leito de UTI com toda estrutura necessária, mas infelizmente não resistiu”.

Mesmo assim, a secretaria garantiu que “está cobrando agilidade na Central de Regulação Estadual para liberação de vagas em outras unidades como, por exemplo, Hecad, Hugol e Hospital Centro-Norte”.

O Portal 6 perguntou ainda se existe a possibilidade de aumentar os leitos, já que há a previsão de que a UPA Pediátrica passe por uma expansão. A pasta disse apenas que o projeto ainda está em fase de elaboração.

Caso Kauan

A saga angustiante de Kauan, que começou no último dia 16 de abril, não teve um final feliz. Durante cinco dias, por conta de uma pneumonia, Lívia Maia, mãe do bebê, afirma que esteve ao lado do filho, na UPA Pediátrica, esperando por um leito de UTI.

Quando ele, enfim, conseguiu a vaga, o estado de saúde se agravou rapidamente, não foi mais possível realizar a transferência e o garotinho não resistiu.

A genitora sustenta que, mesmo após todo o período de internação, não obteve sequer respostas precisas sobre o quadro de saúde do filho.

“Os socorristas perguntaram para a médica qual foi a bactéria que causou a pneumonia no meu filho, mas o exame nem tinha saído. Eles nem sabiam qual era a bactéria e já tinha cinco dias que ele estava lá”, contou ao Portal 6.

Na ocasião, a Semusa informou, por meio de nota, que o bebê foi cadastrado na Central de Regulação Estadual no dia 17 de abril, mas o leito de UTI no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, só foi liberado no dia 21.

Já a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) se posicionou afirmando que a equipe médica do Complexo Regulador Estadual (CRE) buscou 24h pela vaga de Kauan, porém, a falta de alguns exames teria interferido na avaliação da equipe.

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