“Foram os piores dias da minha vida”, diz mãe de bebê de Anápolis que morreu esperando por UTI

Garotinho aguardava há dias e, quando enfim conseguiu, quadro já era grave demais

Isabella Valverde -
Após 05 dias de espera por um leito de UTI, o pequeno Kauan Guilherme, de 10 meses, não resistiu e morreu na UPA. (Foto: Divulgação/ Lívia Maia)

Começou a repercutir neste sábado (22), em Anápolis, a morte de um bebê, de apenas 10 meses, que aguardou por cinco longos dias para conseguir uma vaga em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

O desespero da família teve início ainda no último sábado (16), quando o pequeno Kauan Guilherme Maia começou a se sentir mal e a mãe o levou para receber atendimento UPA Pediátrica, no bairro Maracanã.

Em conversa com o Portal 6 a genitora do garotinho, Lívia Maia, contou que a demora para o atendimento começou logo na triagem, mas, após um tempo de espera, ele foi levado para a sala vermelha. No momento da internação, a médica de plantão teria informado que ele poderia estar com uma pneumonia.

Diante a seriedade do caso médico, o menininho foi rapidamente internado para receber as medicações necessárias e colocado no oxigênio. Mas, naquele momento, o que ele realmente precisava era ser encaminhando para um leito de UTI.

Após os cinco dias, quando enfim seria transferido, o estado de saúde do bebê já estava muito grave e ele acabou não resistindo e morrendo ainda na UPA.

“A infelicidade do meu filho foi ter pegado uma pneumonia. E mais uma coisa, na hora que o SAMU chegou para levar o meu filho para a UTI, os socorristas perguntaram para a médica qual foi a bactéria que causou a pneumonia do meu filho, mas o exame nem tinha saído. Eles nem sabiam qual era a bactéria e já tinha cinco dias que ele estava lá”, contou.

Segundo a mãe, mesmo tendo nascido de forma prematura, o pequeno Kauan sempre foi um bebê saudável, até que acabou pegando a pneumonia.

“Ele nasceu prematuro, se desenvolveu super bem, nunca fiquei com ele internado. E quando aconteceu de ele precisar fica internado, ele veio a óbito. Eu estou arrasada”, afirmou.

Antes de pegar a pneumonia, o pequeno Kauan não tinha nenhum problema de saúde. (Foto: Divulgação/Lívia Maia)

Lívia ainda contou que o pedido para o leito de UTI foi realizado apenas um dia após o bebê ter sido internado.

“Eu fiquei do lado dele nesses cinco dias, que foram os piores da minha vida”, lamentou.

Indignada com toda a situação, Lívia afirma que seguirá lutando pelo filho, para que possa encontrar justiça e para que outras mulheres não precisem viver a dor que ela está tendo que passar.

“Não quero ver mãe nenhuma passar o que eu passei com meu filho naquele hospital. É a pior dor do mundo. Eu quero justiça”, pontuou.

Palavra da Semusa

A Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA) informou, em nota, que o bebê foi inserido na Central de Regulação Estadual no dia 17, mas a vaga no Hugol, em Goiânia, foi liberada apenas na manhã do dia 21.

Ainda no comunicado, a pasta explicou que devido a gravidade do estado de saúde de Kauan e a instabilidade desse quadro, não era possível realizar o encaminhamento para a capital, já que “o paciente deve ser estabilizado para qualquer movimentação devido ao risco de descompensação, que pode levar a óbito”.

A Semusa alega ainda que foi oferecido para o bebê todo o suporte de tratamento e cuidados intensivos.

Palavra da SES-GO

A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) também se posicionou por nota e informou que a equipe médica do Complexo Regulador Estadual (CRE) buscou 24h pela vaga, porém, alguns exames fundamentais ainda não teriam sido inseridos, o que teria interferido na avaliação da equipe.

Segundo a SES, apenas na quinta-feira (21) é que um raio X, que classificava o risco da criança, foi inserido no sistema, fazendo com que a vaga pudesse enfim ser liberada.

“A SES-GO reforça que realiza busca ampliada de leitos na rede estadual conforme as solicitações e sempre é necessário a apresentação de exames para a classificação de risco e prioridade de cada caso. Vale ressaltar que o município solicitante também dispõe de leitos de UTI pediátrica”, encerrou a nota da SES-GO.

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