Xi Jinping diz a Bachelet que nenhum país se encaixa no ideal de direitos humanos

Declaração foi feita durante visita ao país da alta comissária das Nações Unidas para direitos humanos

Folhapress -
Xi Jinping diz a Bachelet que nenhum país se encaixa no ideal de direitos humanos (Foto: Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O líder da China, Xi Jiping, afirmou nesta quarta-feira (25) que nenhuma nação se encaixa no ideal de direitos humanos. A declaração foi feita durante visita ao país da alta comissária das Nações Unidas para direitos humanos, Michelle Bachelet, e após o vazamento de dados que revelam violência contra a minoria muçulmana uigure em território chinês.

“Não existe uma nação ideal em direitos humanos, [nem] há necessidade de um ‘professor’ mandando em outros países”, afirmou Xi durante teleconferência com Bachelet, segundo a agência de notícias Tass.

O líder chinês disse ainda que os direitos humanos não devem ser politizados nem tratado com “padrões duplos”, em uma insinuação de que assuntos relacionados ao tema são usados como justificativas para interferências externas na China.

Xi também defendeu a política do governo chinês e disse que a proteção dos direitos humanos é “uma tarefa para toda a humanidade”. Ele pediu contribuição conjunta para desenvolver a administração do tema globalmente de uma maneira mais imparcial, racional e inconclusiva. De acordo com o líder da China, Pequim está disposta cooperar com todas as partes com base no respeito mútuo.

Bachelet chegou à China na segunda (23) para uma visita de seis dias. É a primeira viagem oficial de um titular do cargo à nação asiática desde 2005.

O principal ponto do roteiro é Xinjiang, onde o regime comunista liderado por Xi Jinping é acusado de reprimir minorias muçulmanas como a dos uigures. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, acusa Pequim de praticar genocídio e crimes contra a humanidade na região.

Espera-se que a alta comissária visite centros de detenção locais que, ao todo, abrigam mais de 1 milhão de uigures. Questionado sobre o tema, o porta-voz da chancelaria chinesa Wang Wenbin afirmou que Pequim facilitará a visita para “promover o desenvolvimento da causa internacional dos direitos humanos”. Acrescentou, no entanto, que o regime se opõe ao “uso do assunto para manipulação política”.

Nesta terça (24), um vazamento de dados chamou a atenção para violência enfrentadas por uigures detidos na região de Xinjiang. Foram divulgadas mais de 2.800 fotografias e identidade de detidos, incluindo a de Zeytunigul Ablehet, uma adolescente de 17 anos detida por ter ouvido um discurso proibido.

Documentos escritos, por sua vez, comprovariam a tese de que a repressão é ordenada pelas mais altas esferas do Estado chinês.

“Estamos chocados com os relatórios”, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price. “Seria muito difícil imaginar que um esforço sistemático para suprimir, deter, conduzir uma campanha de genocídio e crimes contra a humanidade não teria a bênção –não teria a aprovação– dos mais altos níveis do governo da República Popular da China”.

Autoridades chinesas, por sua vez, afirmam que os uigures estão em “centros de treinamento profissional” para “desradicalizar” pessoas tentadas pelo islamismo ou pelo separatismo após uma série de atentados na região.

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