Professor de Aparecida é humilhado por ser negro em escola municipal

Prefeitura e Secretaria de Educação ouviram os envolvidos no caso para buscar o entendimento entre as partes

Pedro Hara -
Colégio Municipal da Paz foi onde ocorreu o episódio. (Foto: Reprodução/Google Street View)

Um episódio de racismo foi registrado na tarde desta segunda-feira (13), contra um professor do Colégio Municipal da Paz, no Jardim Florença, em Aparecida de Goiânia.

O Portal 6 conversou com o educador, de 59 anos, que relatou que tudo teve início após ele separar uma briga entre alunos na quarta-feira (08).

“Sempre tem desavença entre alunos, então a gente não pode deixar eles brigarem. Um dos meninos pegou no pescoço do outro e eu o adverti. Depois de resolvido o problema com os meninos ficou tudo bem. Foi todo mundo pra casa, no outro dia, o menino que teve o pescoço agarrado reclamou com os pais”, contou.

Diante da reclamação, os pais do garoto se dirigiram até o colégio para conversar com a diretora. Chamado na diretoria, o professor mal teve tempo de entrar na sala, pois já foi recebido com diversas ofensas devido a cor da pele.

“Quando eu entrei na sala ele falou ‘A Princesa Isabel só libertou os escravos porque foi comida por um negão’. Quando eu tentei explicar o ocorrido, ele não deixava e numa dessas ele apontou o dedo pro braço e falou ‘mas também a corzinha não ajuda’. A diretora falou que teve várias outras frases dessas sem eu estar presente”.

Após a conversa com o pai do aluno, o professor contou que foi para a sala dos professores e começou a chorar.

“Eu vou fazer 60 anos de idade e eu nunca tinha passado por isso. Diretamente foi a primeira vez que eu encontrei alguém que falasse assim comigo. Quando eu fui para a sala dos professores sozinho, eu chorei. Foi uma sensação horrível, eu senti como se ele fosse o presidente da república e eu um miserável. Ele estava se sentindo”, disse.

Procurada pelo Portal 6, a Secretaria Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia (SME), afirmou que “repudia toda e qualquer forma de preconceito e injúria racial”.

De acordo com a pasta, a Supervisão Escolar da SME, ouviu os envolvidos na situação para buscar o entendimento entre as partes.

Leia a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia (SME) esclarece de antemão que repudia toda e qualquer forma de preconceito e injúria racial, porque acredita que os valores humanos devem se sobrepor a situações de conflito de qualquer natureza. Partindo desse pressuposto, a Supervisão Escolar da SME, que é o departamento responsável por acolher e tratar desse tipo de situação, informa que já tomou conhecimento do ocorrido na Escola Municipal Da Paz, Jardim Florença, ouviu os envolvidos na situação, o pai e o professor, e busca o entendimento entre as partes. Explica também que qualquer medida em âmbito judicial é de foro íntimo das pessoas envolvidas e serão de responsabilidade dos poderes constituídos.

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