É desesperadora a história de mãe que luta por indenização milionária após ter bebê sequestrado em hospital de Goiânia

Pequeno foi levado por uma suposta enfermeira que alegou que iria apenas trocar a roupa dele. Mãe nunca obteve respostas sobre o filho

Isabella Valverde Isabella Valverde -
Kênia Almeida teve o filho sequestrado em 1997, na Santa Casa de Goiânia. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Quase 27 anos. Esse é o tempo que Kênia Almeida luta por justiça, após ter tido o filho bebê sequestrado no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Goiânia.

Em 1997, o pequeno Matheus Almeida foi levado da unidade hospitalar por uma mulher vestida de enfermeira, que alegou que o levaria para o berçário para trocar de roupa.

Desde então, Kênia vive um pesadelo sem ter qualquer notícia do próprio filho.

“Naquele dia, eu morri por dentro”, disse a mãe em entrevista ao G1.

“Lembro dela desaparecendo na porta e, daquele dia para cá, eu não tive uma notícia sequer. Tentei continuar, mas não consegui. Tentei viver. O fato de não ter nenhuma notícia e de nada acontecer [com o hospital] me destrói por dentro”, completou.

O sofrimento da família é ainda maior, já que, em 2022, por falta de provas, o processo criminal foi arquivado, mesmo sem pistas sobre o paradeiro do menino ou da sequestradora.

Durante a entrevista, abalada, Kênia revelou que chegou a tentar seguir a vida, tendo outra filha. No entanto, a dor de perder um filho fez com que desenvolvesse problemas, como transtornos e vício em remédios.

“Não queria sentir a dor, não queria lembrar porque me dói. Me machuca o fato de não ter feito justiça”, lamentou.

Agora, ainda sem repostas e com o peito cheio de angústias, ela luta para receber uma indenização milionária.

Relembre os fatos 

Aguardando o nascimento do filho, Kênia foi ao hospital na tarde do dia 29 de agosto de 1997, acompanhada da mãe, avó e duas tias.

Já na unidade hospitalar, ela foi atendida por um médico diferente do que havia feito o pré-parto e, por volta das 15h35, foi encaminhada para a sala de cirurgia, onde a cesariana foi realizada.

Ainda sonolenta por causa da anestesia, foi levada para a enfermaria, onde uma profissional lhe entregou o recém-nascido para amamentar.

Após ajudá-la, a enfermeira saiu, deixando o pequeno, até que, pela madrugada, ele começou a chorar e a mãe não conseguiu amamentá-lo. Pouco tempo depois, a sequestradora entrou no quarto afirmando que o levaria para o berçário para que pudesse trocar de roupa.

Kênia chegou a falar que a agulha do soro havia saído, pedindo por ajuda. No entanto, a mulher apenas saiu do leito afirmando que mandaria outro profissional para resolver o problema.

Quando outra enfermeira enfim chegou na ala, questionou onde estava o recém-nascido. Foi então que toda a luta e dor de Kênia teve início.

“Quando falaram que tinham levado o bebê, eu fiquei sem chão. Eu me sinto culpada por ter entregue. Desapareceu em um segundo; quando ela pegou, eu ainda olhei, sabe? Por um minuto pensei em não entregar. Pensei em chamá-la de volta”, contou.

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