Novo hábito da geração vira problema para empresas e recrutadores e acende alerta no mercado de trabalho

Mudança no comportamento de jovens candidatos começa a preocupar empresas e já interfere na forma como algumas contratações são conduzidas

Layne Brito Layne Brito -
gereção Z fazendo entrevista de emprego
(Imagem: Ilustração)

Durante muito tempo, uma das maiores reclamações de quem participava de processos seletivos era a falta de retorno das empresas. O candidato fazia entrevista, aguardava uma resposta e, muitas vezes, nunca mais recebia qualquer contato.

Agora, recrutadores afirmam que um comportamento semelhante começou a aparecer do outro lado da relação.

Levantamento feito com 1.115 responsáveis por contratações nos Estados Unidos mostrou que 54% deles já enfrentaram situações em que candidatos da Geração Z simplesmente deixaram de responder após receber uma oferta de emprego.

O fenômeno passou a ser chamado de “ghosting profissional” ou “ghosting laboral”.

Na prática, acontece quando o candidato interrompe a comunicação sem dar explicações, mesmo depois de avançar no processo seletivo.

Em alguns casos, o desaparecimento ocorre em etapas ainda mais avançadas.

Entre os recrutadores que relataram o problema, 27% disseram ter visto jovens aceitarem a oferta, mas não concluírem a documentação necessária.

Outros 26% afirmaram que candidatos finalizaram os trâmites e não apareceram no primeiro dia de trabalho.

Há ainda situações mais extremas: 29% relataram casos de profissionais que chegaram a começar no emprego, mas desapareceram poucos dias depois.

Empresas mudam postura

O comportamento já começa a produzir consequências no mercado.

Entre os recrutadores afetados, 66% afirmaram que o fenômeno tornou as contratações mais difíceis.

Outros 47% disseram ter perdido parte da confiança em candidatos mais jovens.

Além disso, 34% passaram a favorecer profissionais de faixas etárias mais altas em alguns processos seletivos, enquanto aproximadamente um em cada dez afirmou que deixou de considerar candidatos da Geração Z.

Apesar do alerta, o cenário não pode ser atribuído apenas aos jovens.

Empresas também são frequentemente criticadas por interromper contatos sem resposta, além de manter processos longos, pouco transparentes ou com comunicação falha.

Especialistas em recrutamento apontam que esse histórico pode ajudar a explicar parte da mudança de comportamento.

Assim, o chamado ghosting profissional revela uma transformação mais ampla na relação entre candidatos e empresas.

De um lado, empregadores cobram compromisso e comunicação.

Do outro, profissionais mais jovens demonstram estar menos dispostos a permanecer em processos ou vagas que não atendem às expectativas.

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Layne Brito

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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