Terremoto mata ao menos 144 em Mianmar e 8 na Tailândia
Tremor deixou um cenário de devastação na região


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o Sudeste Asiático nesta sexta-feira (28), matando ao menos 144 pessoas em Mianmar e oito na Tailândia. O tremor deixou um cenário de devastação na região -um prédio em construção desabou na capital tailandesa, Bancoc, e uma ponte de mas de 90 anos desabou na região birmanesa de Mandalay, no centro da nação.
Novas atualizações aumentam a cifra de mortos rapidamente -uma análise do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos, na sigla em inglês), afirma que, com base na força e profundidade do terremoto, pode haver milhares de mortes.
O terremoto ocorreu na hora do almoço, às 12:50 locais (3h20 da manhã de Brasília, que está 9h30 atrasada em relação à região). Segundo o USGS, o evento de magnitude 7,7 ocorreu a uma profundidade de 10 km, seguido 11 minutos depois por uma forte réplica de 6,4 e por outras mais moderadas. Quanto mais próximo for o sismo da superfície terrestre, maior será o estrago -tremores a até 70 km de profundidade costumam ser considerados superficiais.
“No geral, a população desta região reside em estruturas que são vulneráveis a tremores de terremoto, embora existam estruturas resistentes”, disse a análise do órgão. “Altas baixas e danos extensos são prováveis, e o desastre provavelmente é generalizado.”
De acordo com a junta militar no poder em Mianmar, além dos mais de 140 mortos, há 732 feridos. Na Tailândia, a operação de resgate que atende o desabamento do arranha-céu em Bancoc disse que procura 117 desaparecidos na construção.
A cidade foi declarada uma “área de emergência” pelo primeiro-ministro Paetongtarn Shinawatra, que pediu aos moradores que esvaziassem edifícios altos; em Mianmar, as autoridades declararam estado de emergência em seis regiões.
O epicentro foi a 17 km de Mandalay, cidade de cerca de 1,5 milhão de pessoas que é a antiga capital real de Mianmar e um importante centro para o budismo. Mas o sismo foi sentido em locais tão distantes quanto Bancoc, a mais de 1.000 km de distância, e, segundo a agência de notícias Xinhua, Yunnan, província no sudoeste da China, onde não há relatos de vítimas.
Na capital tailandesa, turistas correram em roupões e trajes de banho em pânico enquanto caía água de uma piscina no topo de um hotel de luxo, segundo testemunhas -cena que rapidamente se espalhou nas redes sociais.
Dados sobre mortos e feridos demoraram a ser divulgados, especialmente em Mianmar, regido por uma junta militar desde 2021, quando o país foi palco de um golpe de Estado. Para frustrar a dissidência, a internet foi limitada após o desastre, o que pode atrapalhar a entrega de ajuda em uma emergência como a atual, na qual quedas de energia já podem dificultar a comunicação.
Mesmo antes do anúncio dos números de mortos, diversos relatos já indicavam a extensão dos estragos. Um morador de Mandalay, em Mianmar, por exemplo, afirmou à Reuters ter visto o desabamento de um prédio de cinco andares; outro disse à agência de notícias que uma casa de chá ruiu com várias pessoas presas dentro.
Já em Taungu, no mesmo país, uma mesquita desabou parcialmente, segundo testemunhas, e, em Aung Ban, o desabamento de um hotel teria matado duas pessoas, segundo o veículo local Voz Democrática de Burma. Além disso, algumas partes do teto cederam e as paredes sofreram rachaduras no Museu Nacional de Naipidau, capital birmanesa.
A MRTV, emissora administrada pelo Exército, relatou que o terremoto derrubou prédios, esmagou carros e deixou fissuras enormes nas estradas da cidade.
O pesquisador de Mianmar da Anistia Internacional, Joe Freeman, disse que o terremoto não poderia ter ocorrido em um momento pior. O evento deve causar deslocamento e exigir ajuda humanitária no momento em que cortes do governo de Donald Trump limitam a assistência dos EUA ao mundo.
A situação do país já não era confortável -desde a derrubada do governo civil, o Exército deixou a economia e serviços básicos como saúde em frangalhos, enquanto a oposição armada tomou vastas áreas do território e expulsou a junta das regiões de fronteira.
Os combates deslocaram mais de três milhões de pessoas, levando o país a uma insegurança alimentar generalizada, de acordo com as Nações Unidas. Por fim, o país também foi atingido por uma série de desastres naturais nos últimos anos, incluindo o tufão Yagi, no ano passado, e o ciclone Mocha, em 2023.
Terremotos também são relativamente frequentes -entre 1930 e 1956, seis tremores com magnitude igual ou maior a 7 foram registrados na falha de Sagaing, que percorre o centro do país, segundo o Serviço Geológico americano.
Apesar disso, a nação não está preparada para esse tipo de evento -o ritmo vertiginoso de desenvolvimento das cidades birmanesas, combinado com infraestruturas precárias e um planejamento urbanístico deficiente, tornam o país vulnerável a terremotos e outros desastres. O sistema de saúde está saturado, em particular nas zonas rurais.
A magnitude da destruição fez um porta-voz militar de Mianmar, o general Zaw Min Tun, pedir ajuda humanitária da comunidade internacional. “Cooperaremos com eles para garantir o melhor atendimento às vítimas”, afirmou, em um raro apelo da junta por ajuda de outros países, o que revela a gravidade da situação.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está pronto para oferecer ajuda de emergência aos países afetados. “Os satélites europeus Copernicus já estão ajudando os socorristas. Estamos prontos para fornecer mais apoio”, escreveu ela na rede social X. A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, disse que está estudando enviar suprimentos para traumas a Mianmar.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em uma entrevista coletiva que já conversou com autoridade da região afetada e afirmou “é uma situação muito ruim, e nós vamos ajudar”. Ainda nesta sexta, porém, o governo americano informou funcionários da Usaid (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional) que todos os cargos não exigidos por lei seriam eliminados. O órgão historicamente desempenha um papel importante na coordenação de esforços de socorro a desastres.