Uruguai quer retomar território brasileiro de mais de 200 km² após avanço de projeto bilionário

Área no Rio Grande do Sul volta ao centro do debate diplomático depois da instalação de um parque eólico de grande porte

Magno Oliver Magno Oliver -
Uruguai quer retomar território brasileiro de mais de 200 km² após avanço de projeto bilionário
(Foto: Divulgação)

Uma antiga disputa territorial entre Brasil e Uruguai voltou à pauta internacional após o avanço de um projeto bilionário de energia renovável no sul do país.

O governo uruguaio retomou questionamentos sobre a soberania de uma área localizada no município de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

A região em disputa é conhecida como Rincão de Artigas e possui cerca de 237 km². Embora esteja sob administração brasileira há décadas, o território é alvo de contestação por parte do Uruguai desde a década de 1930, quando surgiram divergências sobre a interpretação de marcos fronteiriços históricos.

O tema ganhou novo fôlego após a implantação do Parque Eólico Coxilha Negra, iniciado em 2022. O empreendimento envolve investimento estimado em R$ 2 bilhões, conta com 72 aerogeradores e foi projetado para abastecer aproximadamente 1,5 milhão de consumidores, o que elevou a importância econômica e estratégica da área.

Diante desse cenário, o Uruguai formalizou, em junho de 2025, uma nova queixa diplomática solicitando a revisão da fronteira. O argumento apresentado é a existência de um possível erro histórico na demarcação definida a partir de tratados firmados no século XIX, especialmente após o acordo de 1851.

Por outro lado, o Brasil sustenta que o território pertence legitimamente a Santana do Livramento. A presença administrativa brasileira na região é consolidada desde o início do século XX, com ocupação civil, infraestrutura pública e serviços regulares.

Apesar da sensibilidade do tema, autoridades dos dois países destacam que não há risco de conflito militar. Brasil e Uruguai mantêm relações historicamente amistosas e convivem de forma pacífica em cidades-gêmeas como Santana do Livramento e Rivera, separadas apenas por uma avenida.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que o impasse será tratado exclusivamente por vias diplomáticas. Até o momento, não existe qualquer previsão de alteração territorial nem impacto nas operações do parque eólico, que segue funcionando normalmente.

Enquanto as discussões avançam no campo diplomático, o episódio reforça a relevância geopolítica da região, especialmente em um contexto global de transição para fontes de energia limpa e ampliação de investimentos estratégicos.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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