Orelha e o alerta que não pode ser silenciado
Que Orelha não seja apenas mais um nome esquecido. Que seja um alerta. E que esse alerta gere consequências reais

O Brasil inteiro ouviu falar do caso do cachorro Orelha, em Santa Catarina. E ouviu porque não dá mais para fingir que episódios como esse são exceções. O que aconteceu com Orelha não foi um “acidente”, nem um fato isolado. Foi violência deliberada. Crueldade. E precisa ser chamada pelo nome certo.
Orelha não era apenas um cachorro. Era um animal comunitário, conhecido, cuidado por moradores, parte da rotina de um lugar. E mesmo assim foi brutalmente agredido por adolescentes, segundo as investigações, até chegar a um estado de sofrimento tão grave que não houve alternativa senão interromper sua dor. Orelha sofreu demais. Um ser inocente, que só queria viver, vítima de uma violência absurda e covarde.
O nível de crueldade e o sangue-frio demonstrados são aterrorizantes. Casos assim não surgem do nada e não podem ser relativizados. Eles levantam um alerta sério e conhecido: a violência extrema contra animais é, em muitos casos, o primeiro passo de um comportamento profundamente perigoso.
Estudos na área da psicologia e da psiquiatria apontam que a tortura e a morte de animais estão frequentemente associadas a traços de psicopatia, ausência de empatia e indiferença diante do sofrimento alheio. Não se trata de diagnosticar pessoas, mas de reconhecer padrões amplamente documentados. Quando a violência deixa de causar qualquer emoção, o risco deixa de ser apenas animal.
Dizer que “certamente já houve outras vítimas” não é acusação leviana, é uma constatação comum em casos de crueldade extrema. A repetição costuma anteceder a escalada. Por isso, tratar o caso de Orelha como algo isolado é um erro grave. Isso não é apenas um episódio. É um alerta.
Não existe justificativa. Não existe “brincadeira”. Não existe imaturidade que explique tamanha brutalidade. A vida, qualquer vida, não pode ser tratada com indiferença. Quando alguém é capaz de infligir dor extrema a um ser indefeso, estamos diante de algo que precisa ser encarado com seriedade absoluta.
Proteger os animais é proteger a sociedade. A violência começa quando a crueldade é tolerada, minimizada ou ignorada. E quando não é enfrentada com firmeza, ela evolui.
Como vereadora e defensora da causa animal, afirmo com convicção: o caso de Orelha precisa ser um divisor de águas. Para reafirmar valores básicos, fortalecer a aplicação da lei e deixar claro que toda vida importa, sem relativização, sem conivência e sem silêncio.
Que Orelha não seja apenas mais um nome esquecido. Que seja um alerta. E que esse alerta gere consequências reais.







