Candidato negro ao MPGO fala sobre caso de racismo sofrido com motorista de aplicativo em Goiânia: “situação criminosa”
Motorista da plataforma 99 teria dito que, pela aparência, achava que o passageiro piauiense estava na cidade para "teste de pedreiro ou vigilante"

O candidato ao cargo de Promotor de Justiça que denunciou ter sido alvo de racismo e xenofobia durante uma corrida por aplicativo no Setor Marista, em Goiânia, decidiu quebrar o silêncio sobre a experiência traumática.
Em um relato exclusivo ao Portal 6, ele, que preferiu não se identificar, classificou o episódio como uma “situação constrangedora e criminosa”, explicando que a gravidade das ofensas proferidas pelo motorista foi o estopim para que, pela primeira vez, decidisse buscar as autoridades e formalizar uma queixa.
O homem, que está na capital goiana para realizar as provas do Ministério Público (MP), revelou que o preconceito infelizmente não é uma novidade em sua trajetória, mas que o tom das agressões verbais desta vez ultrapassou todos os limites.
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“Nunca havia feito qualquer ocorrência desse tipo, apesar de já haver passado por várias situações de injúria racial. Essa achei bastante acintosa e revoltante. Por isso, resolvi narrar a ocorrência”, desabafou.
Ele fez questão de ressaltar o acolhimento que recebeu na Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (DEACRI), destacando que foi muito bem recebido por uma equipe que agiu de forma “muito humana e profissional”.
Sobre o desfecho do caso, o candidato afirma que não aceitará nada menos que a Justiça e reforçou que a impunidade não pode prevalecer.
“O que espero é que haja condenação criminal. Minha impressão é que não se leva tão a sério esse tipo de situação”, pontuou, ressaltando que, embora seja uma percepção pessoal, o sentimento de que crimes de ódio são minimizados é persistente.
Para ele, é urgente que a sociedade mude a forma como interpreta esses ataques no cotidiano. “Passou da hora de se encarar isso como algo ‘cultural’, ‘brincadeira’ e, como se diz atualmente, ‘revitimizar’ a vítima tachando-a de ‘complexado’ ou ‘recalcado’, que é o que comumente se ouve em caso de racismo e injúrias raciais”, concluiu.
O caso foi formalizado e segue sob investigação da Polícia Civil (PC). Até o momento, a 99 Pop não respondeu comunicou à reportagem nenhuma posição acerca do caso. O espaço segue aberto.
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