No Japão, áreas consideradas “favelas” chamam atenção pela qualidade e infraestrutura
Mesmo rotuladas como “favelas”, essas regiões japonesas surpreendem pela organização urbana, acesso a serviços e contraste entre infraestrutura e vulnerabilidade social

Quando se fala em “favela”, muita gente imagina ruas sem asfalto, falta de saneamento e ausência de serviços públicos. No Japão, porém, algumas áreas associadas à pobreza desafiam esse estereótipo.
Um dos exemplos mais citados é Kamagasaki, em Osaka, também conhecida como Airin-chiku, região que ficou marcada historicamente por concentrar trabalhadores de baixa renda, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
O que chama atenção é o contraste. Mesmo com dificuldades sociais evidentes, a região costuma apresentar infraestrutura urbana funcional, com iluminação pública, ruas organizadas e fácil acesso a serviços e transporte.
Na prática, isso cria uma cena incomum para quem associa pobreza necessariamente à precariedade estrutural.
A história ajuda a entender o cenário. Kamagasaki ganhou relevância no pós-guerra, quando o Japão precisava reconstruir cidades e infraestrutura.
A região se consolidou como um polo de trabalho braçal e temporário, atraindo pessoas de outras partes do país em busca de emprego.
Com o passar do tempo, a dinâmica econômica mudou, os trabalhos diminuíram e o bairro passou a concentrar uma população mais envelhecida e com renda baixa.
O ponto central é que o termo “favela”, nesse contexto, é mais uma comparação informal do que uma definição precisa.
Em muitos países, favelas e assentamentos informais são marcados por insegurança de moradia e falta de serviços essenciais, como água tratada e esgoto. Em Kamagasaki, o desafio aparece mais no campo social e econômico do que na ausência completa de estrutura urbana.
Ter ruas pavimentadas e serviços funcionando não significa que os problemas desaparecem. A região ainda carrega estigma, concentração de pobreza e uma realidade de vulnerabilidade para parte dos moradores.
O caso chama atenção justamente por mostrar que infraestrutura urbana e desigualdade podem coexistir e que a pobreza, em países ricos, pode ter “cara” diferente daquela que muitos imaginam.
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