Pesquisas indicam que pessoas com melhores habilidades matemáticas nascem nesses meses
Pesquisadores identificaram um padrão inesperado que reacendeu o debate sobre desempenho escolar e desenvolvimento cognitivo

Se alguém te dissesse que existe um “período do ano” em que nascem mais pessoas com facilidade para números, você provavelmente pensaria em horóscopo ou superstição.
Mas o curioso é que a discussão aparece, sim, em pesquisas educacionais, não porque o calendário dê superpoderes a ninguém, mas sim por causa de um detalhe bem mais prático: a regra que define quem entra na escola primeiro e quem entra depois.
Em muitos países, existe uma data de corte para matrícula. Isso faz com que, dentro da mesma turma, algumas crianças sejam vários meses mais velhas do que outras.
E, na infância, alguns meses podem significar diferença de maturidade, atenção, memória de trabalho e raciocínio, habilidades que contam muito para aprender matemática.
É daí que vem a associação apontada em estudos: em certos contextos, nascidos entre julho e setembro tendem a aparecer com melhores resultados em matemática, principalmente nos primeiros anos.
O principal motivo é o chamado efeito da idade relativa. Crianças que entram na escola sendo as mais velhas da turma costumam ter, no início, mais segurança para acompanhar conteúdos, lidar com avaliações e manter foco.
Isso pode refletir em notas melhores e desempenho superior em testes, especialmente em disciplinas cumulativas como matemática.
Quando o sistema escolar “agrupa” crianças por ano e estabelece uma data fixa para corte, quem nasce logo após esse corte costuma ser o mais velho entre os colegas e pode ganhar vantagem inicial.
Julho a setembro são sempre os “melhores” meses
Não necessariamente. Esse padrão muda conforme o país e a regra de matrícula. Se a data de corte é diferente, os meses que ficam “logo depois” dela também mudam.
Ou seja, não é o mês em si que faz diferença: é a posição dele dentro do calendário escolar.
Além disso, a relação é estatística. Não significa que todo mundo que nasceu nesses meses será melhor em matemática — nem que quem nasceu em outros períodos terá pior desempenho.
A vantagem dura para sempre
Geralmente, não. Pesquisas e análises sobre idade relativa indicam que a diferença tende a ser mais forte na infância e pode diminuir com o tempo, à medida que o desenvolvimento se equilibra e as oportunidades de aprendizagem se ampliam.
Com apoio pedagógico, estímulo em casa, bons professores e prática constante, o desempenho em matemática pode evoluir muito independentemente do mês de nascimento.
O que realmente pesa no aprendizado
Mesmo quando o efeito aparece, ele costuma ser pequeno perto de fatores como:
- Qualidade do ensino
- Rotina de estudos e prática
- Apoio familiar e estímulos em casa
- Acesso a reforço e materiais
- Confiança e relação da criança com a disciplina
A ideia de que alguns meses “produzem” pessoas melhores em matemática chama atenção, mas o recado central das pesquisas é outro: o contexto escolar pode favorecer quem é um pouco mais velho na turma, principalmente no começo da vida acadêmica.
Isso não define destino nem talento. O que decide, de verdade, é a combinação de oportunidade, estímulo e constância que pode transformar qualquer aluno em alguém cada vez mais forte com números.
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