Caso Vanessa Marega: contrato proibia compradores de procurarem a polícia caso produtos não fossem entregues
Documento obtido pelo Portal 6 ajuda a entender como as vendas eram estruturadas e por que muitos consumidores confiaram nas ofertas

O Portal 6 teve acesso nesta terça-feira (14) a um dos contratos utilizados por Vanessa Reges de Almeida, conhecida como Vanessa Marega, nas negociações com clientes em Anápolis.
O documento ajuda a entender como as vendas eram estruturadas e por que muitos consumidores confiaram nas ofertas, que envolviam principalmente eletrodomésticos e eletrônicos vendidos com preços muito abaixo do mercado.
Os contratos formalizavam prazos, formas de pagamento e condições de entrega, o que transmitia uma sensação de segurança aos compradores. Em meio a promoções com descontos agressivos, a existência de um documento assinado reforçava a aparência de legalidade das transações.
Apesar disso, uma cláusula específica chama atenção pelo teor incomum. Inserido na parte de rescisão, o contrato previa que o comprador não poderia ameaçar Vanessa Marega nem buscar registrar ocorrência policial como forma de pressionar pela entrega do produto.
O trecho estabelece: “em caso de atraso, não poderá a parte compradora ameaçar a parte vendedora, em buscar registrar ocorrência policial ou coagi-la de alguma forma para receber o produto”, prevendo ainda a possibilidade de medidas judiciais contra o cliente em caso de descumprimento.
Além disso, o documento também limitava a responsabilidade de Vanessa Marega ao afirmar que ela atuava apenas como revendedora, sem garantia direta dos produtos, e previa multa de 10% em caso de desistência por parte do comprador.

Cláusula específica chama atenção pelo teor incomum. (Imagem: Captura de tela)
Empresária não é mais vista e vítimas se mobilizam
Enquanto o conteúdo do contrato levanta questionamentos, a situação dos consumidores se agrava. Desde segunda-feira (13), clientes passaram a receber uma mensagem automática informando que não haverá mais respostas ou atendimentos, o que intensificou a preocupação entre os compradores.
Nos grupos formados por vítimas, a informação é de que Vanessa Marega não é mais vista em Anápolis desde o fim de março, período em que começaram a surgir as primeiras denúncias e ações judiciais. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o paradeiro da empresária, que também não se manifestou publicamente.
Diante disso, os consumidores vêm se organizando para buscar ressarcimento. Há mobilização para registro de ocorrências na Polícia Civil (PC), além de denúncias ao Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio de canais oficiais.
Em grupos de WhatsApp, vítimas compartilham valores perdidos e tentam reunir provas, enquanto o prejuízo total já se aproxima de R$ 1 milhão. Procurada pela Portal 6, Vanessa Marega não retornou os contatos.

Grupos de vítimas de Vanessa Marega somam centenas de participantes. (Imagem: Captura de tela)
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