Isso não é na África. É em Anápolis. E está acontecendo agora
Essa reflexão não é para acusar ou "jogar pedras". Mas que provoque um incômodo necessário

Era quase meia-noite quando entramos. Um barracão de três cômodos, abafado, sem dignidade mínima. Dez crianças vivem ali, todas menores. O pai disse ser pedreiro. A mãe, exausta, cuida da casa. Havia mais três adultos usando drogas dentro do ambiente. Uma criança acordada, em silêncio. As outras dormiam. O jantar foi dividido entre todos. Metade de um abacate.
Isso não é distante, nem exceção geográfica. É aqui. É agora. E não surgiu por acaso. É fruto de omissões acumuladas, políticas que não chegaram, estruturas que falharam e de uma sociedade que muitas vezes prefere não enxergar.
Aos agentes públicos, a responsabilidade é direta. Liderar é cuidar de pessoas. Ignorar não é neutralidade, é falha. E antes de críticas fáceis, vale lembrar que já há gente tentando resolver.
À rede de proteção, a pergunta é objetiva. Onde houve falha? Crianças não têm voz nem defesa. Se o sistema existe, precisa funcionar.
E à sociedade, o ponto mais duro. Não é só sobre ajudar, é sobre não se acostumar. Não terceirizem tudo.
Essa reflexão não é para acusar ou “jogar pedras”. Mas que provoque um incômodo necessário, até nos perguntarmos: até quando vamos tratar o absurdo como algo normal, desde que não aconteça dentro da nossa própria casa?
Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Anápolis!








