“Come, sua gorda”: professora revela humilhações praticadas por diretor de colégio em Goiânia que foi condenado
Ofensas teriam começado como uma 'brincadeira', mas evoluiu para assédio rotineiro e gerou um quadro de depressão na vítima

Em meio à denúncia apresentada a Justiça goiana, a professora Priscilla Maria Pires Almeida da Silva relatou a série de humilhações, assédio moral e gordofobia sofridos dentro de um colégio estadual de Goiânia, entre 2018 e 2023.
O caso envolve o então diretor da unidade escolar, Wanderson Barbosa de Souza, que foi condenado a 10 meses de reclusão pelo crime de violência psicológica contra a mulher.
O Portal 6 teve acesso à sentença da condenação. Como narrado pelo juiz Fabio Vinicius Borsato, da 5ª Vara Criminal de Goiânia, “restou comprovado que Wanderson utilizou-se de estratégias deliberadas para humilhar, constranger e desqualificar a vítima […] O réu agiu com a vontade livre e consciente de abalar a higidez psíquica de Priscilla, expondo-a a situações vexatórias e degradando seu ambiente de trabalho”.
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A pena, contudo, foi substituída pelo pagamento de multa no valor de um salário-mínimo a uma entidade filantrópica.

Priscilla Maria Pires, professora do Colégio Estadual de Período Integral Dom Abel (Imagem: Reprodução/TV Anhanguera)
O início das ofensas
De acordo com o depoimento prestado em juízo, as situações começaram logo no início da relação profissional. Ainda na chegada à escola, em 2018, a professora disse ter sido questionada sobre a religião de forma constrangedora.
Com o tempo, o comportamento do diretor teria se tornado mais invasivo. Ela relata que ele fazia contatos físicos indesejados, tocando em seu corpo e “brincando com as gordurinhas” de Priscilla.
As ofensas verbais eram frequentes e, segundo a vítima, aconteciam diante de colegas. Termos como “gorda” e “baleia” eram usados de forma recorrente, inclusive pelas costas.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu durante uma confraternização escolar. Na ocasião, o diretor teria jogado um osso suino no prato da professora e dito: “come, sua gorda”, na frente de outras pessoas.
A professora afirma que não reagia por medo de perder o emprego. Segundo ela, havia um clima de hierarquia rígida e receio generalizado entre os funcionários.
Além das humilhações, ela relata perseguição profissional. Advertências consideradas injustas e acusações graves que teriam sido feitas sem apuração adequada.
O impacto psicológico foi significativo. Durante o período em que trabalhou na unidade, Priscilla passou por internações, uso intenso de medicação e crises de ansiedade.
No depoimento, ela também relatou episódios em que pensou em morrer, além da incapacidade de realizar atividades básicas do dia a dia.
Amigos próximos precisaram ajudá-la com tarefas simples, como cuidar da casa.
Defesa do diretor
A defesa do diretor pediu a absolvição alegando que ele não teve participação nos fatos descritos pela professora.
Os advogados também argumentaram que não haveria provas suficientes para uma condenação. defendendo que o conjunto probatório não seria capaz de sustentar a responsabilização criminal.
Além disso, a defesa solicitou o envio de cópias do processo ao Ministério Público para investigação de possíveis crimes cometidos por testemunhas e pela própria denunciante. Entre as hipóteses levantadas estavam denunciação caluniosa e falso testemunho.
Os advogados afirmaram, em síntese, que haveria inconsistências e divergências nos relatos apresentados ao longo do processo. Para a defesa, essas contradições levantariam dúvidas sobre a veracidade das acusações feitas contra o diretor.
As alegações, entretanto, não foram aceitas pelo juízo. Wanderson ainda pode recorrer da sentença.
A reportagem entrou em contato com Secretaria de Estado da Educação (Seduc), questionando sobre a atuação profissional do diretor e se ele permanece à frente da gestão da unidade, mas não tive retorno.
Também não conseguimos localizar a defesa do diretor Wanderson de Souza. O espaço para posicionamentos permanece em aberto.
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