Cientistas descobrem nova forma de deixar as frutas frescas por mais tempo
Técnica criada no Canadá usa solução biodegradável para remover resíduos de pesticidas e formar proteção em frutas

Manter frutas frescas por mais tempo é um desafio que começa muito antes de elas chegarem à geladeira. Entre transporte, armazenamento e consumo, parte desses alimentos perde qualidade rapidamente, o que pesa no bolso e contribui para o desperdício.
Agora, cientistas da University of British Columbia, no Canadá, desenvolveram uma técnica experimental que pode ajudar a mudar esse cenário. A novidade combina uma lavagem natural e biodegradável com uma camada fina, comestível e protetora aplicada sobre as frutas.
Nos testes feitos com maçãs e uvas, a solução conseguiu reduzir resíduos superficiais de pesticidas e retardar sinais de deterioração, como perda de água e escurecimento. A pesquisa foi publicada na revista científica ACS Nano.
A mistura usa partículas muito pequenas feitas de amido, além de ferro e ácido tânico, composto natural encontrado em alimentos como chá e vinho. Segundo os pesquisadores, esses elementos ajudam a capturar resíduos presentes na superfície das frutas durante a lavagem.
Em maçãs, o método removeu mais de 86% dos resíduos superficiais de pesticidas analisados. O resultado foi superior ao observado em lavagens comuns com água, bicarbonato de sódio ou amido puro.
A segunda etapa é a aplicação de uma espécie de “segunda pele”. Essa película biodegradável ajuda a manter a umidade, reduz o escurecimento e preserva melhor a aparência das frutas por mais tempo.
Nos experimentos, maçãs cortadas permaneceram mais firmes e escureceram mais lentamente durante dois dias sob refrigeração. Já as uvas tratadas ficaram mais hidratadas por até 15 dias em temperatura ambiente, enquanto as frutas sem tratamento murcharam antes.
Apesar dos resultados promissores, a técnica ainda não está disponível para uso doméstico ou comercial amplo. A equipe afirma que novos testes serão necessários antes de uma aplicação em larga escala, inclusive com diferentes tipos de frutas e avaliação regulatória.
Enquanto isso, órgãos como a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, seguem recomendando a lavagem de frutas e verduras em água corrente antes do consumo. A nova descoberta, portanto, não substitui os cuidados tradicionais, mas aponta para um futuro em que os alimentos frescos possam durar mais e ser melhor aproveitados.
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