Concurso da Câmara de Goiânia é suspenso por suspeita de favorecimento a candidato que trabalhava na banca

Decisão interrompe certame por 90 dias após denúncias apontarem que primeiro colocado em vaga de administrador recebia bolsas do Instituto Verbena

Davi Galvão Davi Galvão -
UFG abre vagas para curso de especialização totalmente gratuito e a distância CONCURSO
Reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG). (Foto: Divulgação)

O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCMGO) determinou a suspensão imediata, por 90 dias, do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia.

A medida cautelar, assinada monocraticamente pelo conselheiro-relator Humberto Aidar, atende a denúncias de candidatos e interrompe o certame após a identificação de graves indícios de favorecimento, conflito de interesse e fragilidade na segurança das provas.

A organização do processo seletivo está sob a responsabilidade do Instituto Verbena, vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG).

A principal linha de investigação da Secretaria de Controle Externo de Atos de Pessoal aponta privilégios na aprovação de Luã Lírio de Souza Cruz, classificado em primeiro lugar para a vaga de administrador.

Os técnicos do tribunal constataram que o candidato manteve vínculo ativo com a banca organizadora durante a preparação do concurso.

Ele representou o Instituto Verbena em eventos oficiais meses antes dos exames e continuou recebendo diárias e remunerações por projetos da instituição, mesmo após sua cessão à Defensoria Pública da União (DPU).

Os autos indicam que as atividades envolviam justamente o setor de planejamento institucional e concursos.

Diante do cenário, a área técnica do TCMGO foi taxativa e registrou que, mesmo sem uma prova material de fraude, “a mera quebra da isonomia entre candidatos já é suficiente para macular a validade do concurso público”.

O Instituto Verbena rebateu as acusações e alegou que o candidato informou o potencial conflito de interesses em dezembro.

Segundo a banca, houve o bloqueio imediato dos acessos do concorrente aos sistemas internos do certame para assegurar que ele não participasse da elaboração, revisão ou logística das provas.

A entidade admitiu, porém, que manteve o primeiro colocado como bolsista no projeto “Gestão Visionária”, que desenvolve inteligência artificial aplicada exatamente à realização de concursos públicos.

Outros casos

O escopo da apuração do tribunal revela que o suposto favorecimento a colaboradores da banca afetou outros cargos.

Uma candidata que alcançou o sexto lugar para a função de revisor de texto também atuava como bolsista do Instituto Verbena durante o período do seletivo, o que viola as regras expressas do edital.

Para este caso, os auditores recomendaram o bloqueio de uma eventual nomeação, sem a necessidade de anular todo o processo.

No cargo de técnico em iluminação, os concorrentes apontam que o candidato que obteve a nota máxima na prova prática possui vínculos profissionais e acadêmicos diretos com os avaliadores da banca, além de histórico de trabalho nos próprios espaços da UFG que sediaram os testes.

Falhas na aplicação

A fiscalização falha durante o dia de aplicação das provas também motivou a decisão do TCMGO. Candidatos denunciaram a ausência de detectores de metais e de identificação biométrica, além de total liberdade para a escolha de assentos e descontrole no acesso aos banheiros.

A denúncia ainda cita que fiscais de sala orientaram os candidatos de que o toque de aparelhos celulares não resultaria em eliminação imediata, contrariando as práticas comuns de segurança em exames públicos.

Embora reconheça que biometria e detectores não sejam obrigatórios por lei, o tribunal considerou o conjunto de falhas grave o bastante para exigir esclarecimentos.

Próximos passos do concurso

Com a determinação da paralisação, o presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo (Cidadania), a presidente da comissão do concurso, Cassandra Arruda de Sousa Araújo, e a diretora executiva do Instituto Verbena, Claci Fátima Weirich Rosso, receberam notificações para apresentar documentos e esclarecimentos detalhados.

A corte de contas avalia a aplicação de multas caso comprove o desrespeito aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.

Durante este trimestre de suspensão, o TCMGO planeja realizar perícias técnicas nos sistemas da banca e cogita o compartilhamento das provas com o Ministério Público de Goiás, a Procuradoria Federal junto à UFG e a própria DPU, antes de dar o veredito sobre a validação ou a anulação definitiva do certame.

Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Goiânia!

Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias