Esqueça a picanha: conheça a carne de segunda que é mais macia, saborosa e barata que a maioria das de primeira
Ela costuma passar despercebida no açougue, mas pode surpreender quem busca suculência sem pagar caro

Quem vai ao açougue em busca de uma carne macia quase sempre olha primeiro para os cortes mais famosos. Picanha, filé mignon, contrafilé e alcatra costumam ocupar o topo da lista de desejos, especialmente quando a ideia é preparar um almoço especial ou acender a churrasqueira.
O problema é que a fama também pesa no preço. Muitas vezes, o consumidor paga mais pelo nome do corte do que pelo resultado no prato. Enquanto isso, peças menos valorizadas acabam ficando em segundo plano, mesmo quando entregam sabor, maciez e bom rendimento.
Entre essas opções está o peixinho bovino, um corte que a maioria dos clientes nem sequer conhece pelo nome, mas que vem conquistando espaço justamente por ser magro, macio e muito mais acessível do que boa parte dos cortes nobres. Não é à toa que alguns açougueiros já o chamam de “filé mignon do dianteiro”.
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De onde vem o peixinho e por que ele tem esse nome
O peixinho é retirado da parte dianteira do boi, mais especificamente da região superior da paleta, próxima ao ombro. Além disso, o corte também é conhecido como ganso redondo ou lagarto do braço, dependendo da região do país.
O nome curioso vem do formato da peça, que lembra o contorno de um peixe. Ela começa fina em uma das pontas e se alonga num formato cônico. Quando o açougueiro limpa bem a peça e coloca ao lado de um filé mignon, pode ficar difícil distinguir uma da outra à primeira vista.
Apesar de ser classificado como corte de segunda, o peixinho tem uma maciez surpreendente. Isso acontece porque, mesmo sendo uma carne magra e com pouca gordura aparente, suas fibras possuem gordura entremeada discreta, o que garante textura macia e sabor natural sem precisar de técnicas elaboradas.
Como preparar o peixinho para tirar o melhor resultado
O peixinho é um corte versátil e se adapta a diferentes formas de preparo. No entanto, cada método exige um cuidado específico para que a carne entregue todo o seu potencial.
Na churrasqueira, o peixinho mantém boa suculência quando selado em fogo alto e depois levado para o calor indireto. Por ser magro, o tempo no fogo precisa ser controlado para não ressecar a peça. Sal grosso e pimenta-do-reino já são suficientes para realçar o sabor sem mascarar as características do corte.
Na frigideira, funciona bem em bifes altos, desde que a selagem seja feita em fogo forte e o descanso respeitado antes de fatiar. Dessa forma, o suco da carne se redistribui e os pedaços ficam mais úmidos.
Para quem prefere cozimento longo, o peixinho brilha em receitas de panela, ensopados e carne com molho. A composição rica em colágeno natural faz com que a peça fique extremamente macia quando cozida devagar, absorvendo bem os temperos e ganhando uma textura que praticamente desmancha.
Além disso, o corte funciona em preparos que pouca gente imagina: à milanesa, em picadinhos, desfiado para recheios, sanduíches e até como alternativa mais econômica para carne moída de qualidade.
Os erros que deixam o peixinho duro
Apesar de ser naturalmente macio, o peixinho pode decepcionar quando o preparo não respeita suas características. O erro mais comum é exagerar no tempo de fogo em preparos rápidos, como na churrasqueira ou na frigideira. Por ter pouca gordura externa, a carne resseca com facilidade quando ultrapassa o ponto.
Outro cuidado importante é o sentido do corte na hora de fatiar. Assim como em outros cortes com fibras visíveis, o ideal é cortar contra as fibras, depois do descanso da carne. Esse detalhe simples muda completamente a experiência na mastigação e faz a diferença entre um prato macio e um pedaço borrachudo.
Por fim, temperos fortes demais podem esconder o sabor natural do peixinho, que é um dos seus pontos altos. Alho, ervas frescas e azeite já são combinações que funcionam bem sem competir com a carne.
Uma peça que entrega muito mais do que o preço sugere
No fim, a picanha continua tendo seu lugar, mas não precisa ser a única escolha quando o assunto é carne boa. O peixinho bovino prova que um corte pouco conhecido pode entregar maciez, sabor e custo-benefício em uma mesma peça — e por uma fração do preço que os cortes nobres cobram.
Para quem quer variar no açougue sem abrir mão da qualidade, vale pedir ao açougueiro para separar o peixinho da paleta. Muitos profissionais conhecem a peça, mas raramente a expõem na vitrine porque a procura ainda é baixa. Quem descobre, porém, dificilmente volta a ignorar.
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