Região da 44 prepara marketplace próprio para enfrentar apps asiáticos e fim da “taxa das blusinhas”, em Goiânia
Projeto já está avançado e permitirá que lojistas vendam direto pela internet para todo o Brasil

Para virar o jogo na concorrência com as plataformas chinesas e a recente queda da “taxa das blusinhas”, a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), de Goiânia, prepara uma cartada agressiva: o lançamento de um marketplace próprio.
A novidade foi revelada com exclusividade pelo presidente da AER44, Sérgio Naves, em entrevista concedida ao Portal 6.
O projeto visa permitir que os lojistas da 44 vendam os produtos online e, segundo Sérgio, já está com aproximadamente 70% do desenvolvimento concluído.
A iniciativa demonstra o empenho da associação em se adaptar às novas dinâmicas do mercado, inundado por aplicativos que oferecem peças a custos baixíssimos e, logo, sem taxação para compras até 50 dólares.
“Se tudo der certo, nos próximos meses nós vamos ter a nossa própria plataforma. Eu acho que isso vai representar muito para os lojistas”, afirmou Sérgio Naves, destacando a importância da ferramenta.
“Estamos em negociações ainda, mas negociações bem adiantadas, complementou.
O esboço da plataforma, ainda não lançada, foi encontrado pela reportagem em pesquisa feita na internet. Com domínio registrado desde junho de 2025, o site www.comprasna44.com já apresenta algumas funcionalidades que logo estarão disponíveis.
“Imagine sua loja vendendo para o país inteiro, sem sair do ponto físico. A 44.com está chegando para conectar lojistas da 44 com milhares de compradores digitais — sacoleiras, revendedoras, atacadistas e clientes finais”, diz uma página do site.

Projeto do marketplace da AER44 (Imagem: Captura de tela/AER44)
Concorrência acirrada com os apps
A criação do marketplace surge em um cenário cada vez mais desafiador para o comércio varejista, especialmente após a recente queda da “taxa das blusinhas”, que zerou o imposto de importação para itens de até 50 dólares.
A medida, somada à crescente popularização de plataformas de compras online como Shein, Shopee, Temu, Mercado Livre e Amazon, tem gerado preocupação entre os comerciantes locais.
Sérgio Naves destacou que a concorrência com essas plataformas tem impactado o faturamento e, em alguns casos, levado ao fechamento de lojas na região.
“Nós estamos com 13.000 lojas hoje e mais 2.600 feirantes, nós geramos emprego e pagamos imposto. Então, nós precisamos dessa isonomia para, pelo menos, equipararmos as forças”, pontuou o presidente.
Sérgio mencionou que, embora a 44 tenha dobrado de tamanho de 2019 para cá, passando de 8 mil para quase 15 mil lojas, o número atual de lojistas ocupados é de 13.300, com uma redução de 1.700. O número é reflexo dos desafios enfrentados pelo setor pós-pandemia.
Apesar dos obstáculos, o presidente da AER44 ressaltou que a indústria da moda em Goiânia se destaca pela produção de 65% do que é vendido e pela qualidade do jeans, sendo o maior polo produtor do Brasil.
“Hoje nós produzimos 65% do que a gente vende. E o jeans nosso, hoje, corresponde ao maior polo produtor de jeans do Brasil, e de alta qualidade”, afirmou.
O projeto do marketplace ainda não tem data definida para lançamento, que depende do andamento da construção do site e negociação com desenvolvedor.
Contudo, a ferramenta já é vista como uma manobra importante para levar as marcas da 44 para todo o Brasil, complementando as vendas e alcançando novos mercados.
“A gente entende que a região da 44 é um grande shopping aberto e nós precisamos ter uma ferramenta própria. Uma ferramenta que a gente consiga levar o nome da 44 e os nomes de todas as marcas que a gente vende para o Brasil. Hoje nós estamos com aproximadamente 4.500 marcas, que já são consolidadas no mercado”, concluiu Naves.
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