Fim da escala 6×1: empresa reduz jornada sem corte salarial e vê produtividade aumentar
Rede pernambucana aposta na escala 5x2, melhora o ambiente de trabalho e já percebe crescimento na produtividade e nas vendas

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro dos debates no Brasil.
Enquanto trabalhadores defendem melhores condições de descanso e qualidade de vida, empresários e parlamentares ainda divergem sobre os impactos financeiros de mudanças no modelo tradicional de expediente.
Mesmo sem uma definição oficial do Congresso Nacional sobre o tema, algumas empresas brasileiras decidiram antecipar mudanças internas e testar novos formatos de jornada.
Em diferentes setores, empresários começam a enxergar que produtividade e bem-estar podem caminhar juntos — sem necessariamente provocar prejuízos financeiros.
Esse movimento ganhou ainda mais visibilidade após uma empresa pernambucana afirmar que reduziu a jornada dos funcionários, manteve os salários e ainda registrou crescimento no faturamento.
Empresa aposta na escala 5×2 sem reduzir salários
A rede de doces e salgados Delikata, que possui mais de sete unidades espalhadas pela Região Metropolitana do Recife, implementou a escala 5×2 em abril deste ano.
Na prática, os funcionários passaram a trabalhar cinco dias por semana e folgar dois, sem sofrer qualquer redução salarial.
A medida contraria argumentos frequentemente usados por setores que consideram inviável diminuir a carga de trabalho sem aumentar custos operacionais.
Segundo o sócio-diretor da empresa, Clayton Rodrigues, os primeiros resultados surpreenderam positivamente.
“Não posso falar por outras empresas, mas, apesar do pouco tempo, já percebemos um aumento no faturamento”, afirmou ao portal LeiaJá.
Além do crescimento financeiro, a empresa também percebeu mudanças no comportamento das equipes. Funcionários relatam mais disposição, motivação e satisfação no ambiente de trabalho.
Debate sobre o fim da escala 6×1 cresce no país
Nos últimos meses, o debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nas redes sociais e no meio político. Muitos trabalhadores criticam o modelo por causar desgaste físico, dificuldade de convivência familiar e redução da qualidade de vida.
Por outro lado, empresários que adotaram jornadas mais flexíveis começaram a relatar ganhos importantes em produtividade e engajamento.
Especialistas em relações de trabalho afirmam que modelos menos exaustivos podem gerar benefícios como:
- redução do estresse;
- menor índice de afastamentos;
- aumento da produtividade;
- melhora no clima organizacional;
- maior retenção de funcionários.
Além disso, empresas que oferecem melhores condições de trabalho costumam fortalecer a própria imagem no mercado e atrair profissionais mais qualificados.
Produtividade e bem-estar entram na mesma discussão
Durante muitos anos, parte do mercado associou jornadas longas a maior produtividade. No entanto, estudos recentes e experiências práticas começaram a desafiar essa lógica.
Especialistas apontam que funcionários descansados tendem a produzir mais, cometer menos erros e manter níveis maiores de concentração ao longo do expediente.
Nesse cenário, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho passou a ocupar espaço estratégico dentro das empresas.
O que muda com a escala 5×2?
- mais tempo de descanso;
- melhora na saúde mental;
- maior disposição no trabalho;
- aumento da motivação;
- equilíbrio entre rotina profissional e pessoal.
Embora o debate legislativo ainda avance lentamente, iniciativas como a da Delikata mostram que algumas empresas já começaram a testar alternativas antes mesmo de qualquer mudança oficial na legislação trabalhista.
Ao mesmo tempo, o tema continua dividindo opiniões entre empresários, trabalhadores e especialistas.
Enquanto alguns defendem cautela diante dos impactos econômicos, outros afirmam que modelos mais humanizados podem representar um avanço importante nas relações de trabalho no Brasil.
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