Negociação avança e supermercados de Goiás devem anunciar nova regra para trabalho aos domingos

Segundo o sindicato profissional, nova convenção trará mudanças profundas que vão além dos reajustes salariais

Ícaro Gonçalves -
convenção entre funcionários e supermercados de Goiás
Interior de hipermercado em Goiás (Foto: Divulgação)

As negociações entre o sindicato dos trabalhadores de supermercados de Goiás e o setor patronal avançaram ao longo do mês de maio e devem ter um desfecho já nos próximos dias.

Em entrevista ao Portal 6, o procurador do Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Goiás (Secom-GO), José Nilton Carvalho, confirmou que os pontos sensíveis da convenção coletiva já foram firmados com as empresas e que o documento deve ser divulgado até o dia 11 de junho.

Sem adiantar detalhes, José Carvalho informou que a nova convenção trará mudanças profundas que vão muito além dos tradicionais reajustes salariais do varejo.

O foco central das discussões deixou de ser, apenas, o ganho financeiro imediato e passou a ser a reestruturação das escalas de trabalho.

“Tivemos uma negociação excepcional. Não estamos discutindo apenas aumento, estamos discutindo algo muito mais amplo, com uma verdadeira mudança de paradigma”, destacou José Nilton.

A principal mudança que deve ser anunciada é com relação ao trabalho aos domingos. A demanda defendida pelo Secom-GO é que os supermercados garantam o dia fixo de descanso semanal aos funcionários.

Mão de obra escassa e sobrevivência do setor

A urgência por um consenso foi impulsionada por dados alarmantes sobre a escassez de funcionários nas redes de supermercados de Goiás. O procurador cita uma pesquisa recente que revela que as empresas estão operando muito abaixo da capacidade ideal.

“Tivemos uma pesquisa indicando que empresas de supermercados estão trabalhando com 51% da mão de obra. São mais de 12 mil vagas ociosas na região metropolitana. Só em Anápolis são mil vagas”, revelou.

Para o procurador, o modelo atual de trabalho afasta os jovens e ameaça a continuidade das operações no futuro próximo. Sem uma reformulação que ofereça melhor qualidade de vida, o setor corre o risco de não conseguir repor os funcionários que se aposentam.

José Carvalho também defende que a flexibilização das exigências patronais é necessária para a própria saúde financeira das empresas.

“Essa negociação não é simplesmente uma queda de braço, é algo pela sobrevivência da categoria, o que também é de interesse das empresas. A sociedade também clama por isso”, afirmou.

A estratégia busca salvar o varejo de alimentos de um colapso operacional generalizado nos próximos três anos.

“Portanto, o carro forte das nossas demandas não foi só aumento, foi a melhoria das condições. Melhorar as condições para manter os 51% que ainda estão trabalhando, mas também atrair novos colaboradores”, concluiu José Nilton.

A reportagem procurou o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Goiás (Sincovaga-GO), que confirmou que a convenção deve ser anunciada na segunda semana de junho.

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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