Jovem que esfaqueou idoso na tentativa de vingar o pai que morreu atropelado encara júri popular em Anápolis

Caso ocorreu no dia 27 de abril de 2024, quando o acusado desferiu nove golpes de faca contra o caminhoneiro que atropelou o pai

Ícaro Gonçalves -
Paulo Victor
Paulo Victor enfrenta o júri popular pela tentativa de homicídio (Imagens: Reprodução/Captura de tela)

A Justiça de Anápolis promove, nesta quarta-feira (03), o julgamento de Paulo Victor Ferreira Leal, jovem de 29 anos acusado de tentar matar um idoso de 71 anos como vingança pela morte do pai.

O caso ocorreu no dia 27 de abril de 2024, no Residencial Ipanema, e chamou atenção devido à ligação entre os dois episódios.

Na ocasião, Paulo Victor e um colega, identificado como Matheus Rocha, teriam chegado de moto na casa do senhor Antônio Felix Sobrino, onde o agrediram e o golpearam com nove facadas, na tentativa de matá-lo.

Três meses antes, em janeiro do mesmo ano, Antônio Felix havia sido identificado como o motorista do caminhão que atropelou e matou Jocicleyde de Souza Leal, pai de Paulo Victor.

O acidente ocorreu na BR-153, quando o Josicleyde seguia de moto para o trabalho, no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA).

Após a agressão, o idoso foi levado ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana). Apesar da gravidade dos ferimentos, ele sobreviveu.

Ao testemunhar sobre o caso, Antônio Felix informou que Paulo Victor já havia o ameaçado um dia após o atropelamento.

Segundo consta nos autos, consultados pelo Portal 6, nesta primeira ocasião, o jovem teria encontrado a casa do caminhoneiro e o agredido com um capacete, chegando a rasgar a camisa da vítima.

O suspeito ainda teria o ameaçado de morte, dizendo que voltaria para matá-lo, momento em que mostrou uma arma na cintura.

O que diz o acusado

Em vídeo gravado na última terça-feira (02), Paulo Victor disse que o encontro com o idoso novamente, no dia 27 de abril de 2024, aconteceu de forma inesperada enquanto retornava para casa.

“Nesse deslocamento, voltando para minha casa, eu me deparo com um cara que tirou a vida do meu pai, sentado lá, como se nada tivesse acontecido”, afirmou.

O acusado disse que tentou conversar com o motorista antes da agressão. Segundo ele, a emoção provocada pelo encontro teria afetado o comportamento dele, além de tê-lo feito se esquecer dos acontecimentos.

“Naquele momento, cheguei no portão da casa dele, eu tentei dialogar. Não me recordo muito porque foi muita emoção”, declarou.

Paulo Victor também afirmou que perdeu o controle durante a discussão. “Acabei perdendo até minha consciência, devido à emoção que eu senti”, disse ao comentar os momentos que antecederam o ataque.

Após o ocorrido, ele deixou o local, mas posteriormente se apresentou espontaneamente à Polícia Civil (PC) acompanhado de um advogado. Na versão do acusado, a decisão de procurar as autoridades ocorreu após recuperar a lucidez sobre o que havia acontecido.

Ao falar sobre o julgamento, Paulo Victor também questionou o andamento do processo contra Antônio Felix, relacionado ao atropelamento que vitimou o pai. “Como que a pessoa tira a vida de outra, fica em liberdade, e no meu caso, a Justiça está sendo tão pesada?”, indagou.

Ao longo do processo, a defesa do acusado pediu o procedimento de avaliação da sanidade mental, alegando que Paulo estaria fora das faculdades mentais no momento do crime. O pedido, porém, foi negado pela Justiça.

No julgamento desta quarta-feira (03), o Conselho de Sentença deve decidir se o acusado será condenado pela tentativa de homicídio qualificado atribuída pelo Ministério Público.

 

 

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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