Adeus, asfalto tradicional: nova tecnologia começa a ser testada e é mais resistente, com pouca manutenção

Testes com grafeno indicam asfaltos mais duráveis, com menos manutenção e menor impacto ambiental ao longo dos anos

Gustavo de Souza -
asfalto
(Foto: Reprodução)

A aparência é a mesma de uma rua comum, mas a composição do asfalto pode estar prestes a mudar.

Testes em vias reais no Reino Unido e aplicações já feitas na Itália indicam que o uso de grafeno na pavimentação pode tornar estradas mais resistentes, duráveis e menos dependentes de manutenção constante.

A tecnologia, conhecida como Gipave, foi desenvolvida pela italiana Iterchimica e funciona como um aditivo incorporado à mistura asfáltica.

Além do grafeno, o material usa polímeros e resíduos plásticos de difícil reciclagem, sem exigir uma mudança completa no modelo tradicional de recapeamento.

Como funciona o novo asfalto

O grafeno atua no reforço do ligante betuminoso, responsável por envolver os agregados minerais da mistura. Na prática, isso ajuda o pavimento a resistir melhor a deformações, rachaduras e desgaste causados pelo tráfego intenso.

Segundo análises divulgadas pela Holcim UK, um trecho experimental apresentou potencial de elevar em cerca de 165% a vida útil do pavimento, em comparação com métodos convencionais. A avaliação também estimou uma redução de 40% nas emissões de carbono em 20 anos, considerando a menor necessidade de intervenções.

Os testes mais observados ocorreram em Oxfordshire, no Reino Unido. Em Middle Barton, um trecho de 725 metros recebeu parte da via com Gipave e outra parte com asfalto convencional de alto desempenho, permitindo a comparação sob tráfego real.

Ainda em avaliação

A tecnologia também chegou à rede estratégica britânica, com teste iniciado em 2024 pela National Highways na A12. A mistura usada no trecho incluiu Gipave e 40% de asfalto recuperado, segundo a AtkinsRéalis.

Na Itália, o material já foi aplicado em trechos da autoestrada A4, áreas aeroportuárias e na ponte San Giorgio, em Gênova.

Apesar dos resultados promissores, especialistas ainda tratam a solução com cautela. O desempenho depende de fatores como base da via, drenagem, clima, peso dos veículos e qualidade da execução.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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